Defesa quer investigar morte de irmão de Saddam

17 de janeiro de 2007 • 16h02 • atualizado às 16h45

Os advogados do meio-irmão e de um funcionário do governo de Saddam Hussein executados esta semana em Bagdá pediram nesta quarta-feira a abertura de uma investigação internacional sobre o que eles qualificaram de "assassinato brutal".

A execução nesta segunda-feira de Barzan al-Tikriti e Awad Ahmad Bandar "não podem ser chamadas de uma execução, mas de um assassinato brutal que nada tem a ver com as regras de uma execução", denuncia um comunicado assinado por quatro advogados.

"A decapitação de Barzan não pode ser considerada um enforcamento", frisa o comunicado.

"Pensamos que a decapitação é o resultado de um assassinato brutal cometido pelos criminosos que se beneficiam da proteção do governo iraquiano", diz o comunicado.

"Pedimos a abertura de uma investigação séria e imediata que seja conduzida por uma comissão internacional", acrescentam esses advogados, "exortando o secretário-geral da ONU e todas as organizações internacionais a intervirem imediatamente e a enviarem uma equipe de investigadores para o local".

O texto foi assinado pelos advogados Issam al-Ghazzawi (Jordânia), Woudoud Faouzi Chamseddine (Iraque), Mohammed Mounib al-Jindi (Egito) e Ahmad al-Siddiq (Tunísia).

Eles insistem em que a comissão de investigação seja composta de um representante da ONU, de grupos de defesa des direitos do homem e dos advogados da defesa.

Barzan, meio-irmão de Saddam Hussein e ex-chefe de Informação, e Bandar, ex-chefe dos tribunais revolucionários, foram enforcados na segunda-feira em segredo, num local que não foi divulgado e sem qualquer anúncio prévio.

Eles deveriam ter sido enforcados junto com Saddam Hussein, mas sua execução foi adiada, depois da indignação suscitada pela difusão na internet de um vídeo pirata do enforcamento do ex-ditador.

Segundo o vídeo oficial das execuções, Barzan chegou a ser decapitado no impacto do enforcamento: seu corpo estava no chão, com a barriga para baixo, e a cabeça a alguns metros de distância.

Barzan al-Tikriti, de 55 anos, e Awad al-Bandar, de 60 anos, foram, como Saddam Hussein, condenados à morte por enforcamento no dia 5 de novembro de 2006 pelo massacre de 148 camponeses xiitas de Dujail, norte de Bagdá, mortos em represália a um atentado frustrado contra o comboio presidencial em 1982.

AFP - Todos os direitos de reprodução e representação reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.
 
Enviar para amigos
Fechar por:
Enviar para amigos
Fechar por:

Imprimir

Fechar
Mais vistos

Notícias

  1. Carregando...
leia mais notícias »