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Estados Unidos choram a morte do ex-presidente Gerald Ford

28 de dezembro de 2006 00h13

Os Estados Unidos choraram hoje a morte do ex-presidente Gerald Ford, que assumiu o poder após o escândalo de Watergate e foi considerado pelo atual morador da Casa Branca, George W. Bush, como "um grande homem".

"O presidente Ford foi um grande americano que ofereceu muitos anos de dedicado serviço a seu país", disse Bush em um breve comunicado no qual o qualificou como "foi um verdadeiro cavalheiro que refletiu o melhor do caráter americano".

"Gerald Ford chegou quando mais precisávamos dele", acrescentou.

Ford assumiu a Presidência dos EUA em agosto de 1974 quando, encurralado pelo caso de espionagem político conhecido como Watergate, o presidente Richard Nixon se viu obrigado a renunciar.

O vice-presidente americano, Dick Cheney, disse que Ford foi seu "mentor e amigo", e elogiou o ex-chefe de Estado por tirar os EUA de uma das "maiores crises constitucionais desde a Guerra Civil".

Cheney, que foi chefe de gabinete durante a Presidência de Ford, fez assim uma alusão ao escândalo de Watergate, relacionado a escutas ilegais de conversas de membros do Partido Democrata e publicado em 1974 pelo jornal "The Washington Post".

Foi esse histórico escândalo que provocou a breve e acidental passagem de Ford pela Presidência dos EUA.

"Naquela era problemática, os Estados Unidos precisavam de força, sabedoria e bom julgamento", disse Cheney em comunicado no qual assegurou que Ford agrupava todas essas qualidades.

"Quando deixou seu cargo, tinha restaurado a confiança pública na Presidência e a nação voltava a olhar para o futuro com confiança e fé", destacou.

A Presidência de Ford foi marcada por sua decisão de perdoar Nixon, um gesto muito polêmico na ocasião, mas considerado agora como "correto", segundo lembra nesta quarta-feira o jornal "The New York Times".

Entre as poucas vozes dissonantes está o editorial publicado pelo "Los Angeles Times", que se assinala que "o perdão foi um erro, inconsistente com o princípio fundamental de que todo o mundo, incluindo o presidente, é igual perante a lei".

Em geral, tanto historiadores como personalidades políticas concordam que a personalidade direta e aberta de Ford e sua integridade farão com que ele seja lembrado como uma pessoa "exemplar".

Diferentes jornais recuperaram nesta quarta-feira em seus arquivos as primeiras palavras de Ford após assumir o poder.

"A honestidade é, no final, a melhor das políticas", disse durante seu primeiro discurso, no qual antecipou que a transparência seria o sinal de seu mandato e assegurou também que "o longo pesadelo nacional" estava superado.

"Foi um dos funcionários e seres humanos mais admiráveis que já conheci", disse hoje Jimmy Carter, o candidato do Partido Democrata que derrotou Ford nas eleições de 1976.

O ex-presidente Bill Clinton indicou que "todos os americanos deveriam estar agradecidos pela vida que ele dedicou ao serviço" dos outros.

A imprensa também traçou um amável perfil da Ford, que, com 93 anos, foi o ex-presidente americano a viver por mais tempo.

"Ford, um tipo ordinário no mais nobre sentido da palavra", destacou hoje em sua manchete o jornal "San Jose Mercury News".

O "St. Louis Post-Dispatch" diz que Ford foi "o homem que devolveu a integridade à Presidência", enquanto o "Los Angeles Times" afirma que "Gerald Ford assumiu a Presidência de um desonrado Richard Nixon e livrou os EUA da sombra de Watergate".

Por sua parte, o "New York Times" diz que Ford foi um homem que poderia ter sido o vizinho do outro lado da rua e que de repente é indicado para assumir a nação.

O jornal nova-iorquino aplaude também a modesta filosofia do líder que ficou famoso com a frase "quanto mais trabalhar, mais sorte terá".

Na tarde de hoje, a Organização dos Estados Americanos (OEA) expressou suas condolências pela morte do ex-presidente, considerado "um governante dedicado e um servidor público distinto".

Os pêsames foram dados em nome dos 34 países da OEA pelo secretário-geral deste fórum, o chileno José Miguel Insulza, a Betty Ford, viúva do governante, e ao povo dos Estados Unidos.

Insulza assegurou em comunicado que "o Presidente Ford levou à Casa Branca um verdadeiro sentido do otimismo durante um período cheio de desafios na história desta Nação".

O diplomata informou que a memória do ex-governante "será honrada na próxima sessão do Conselho Permanente da OEA".

EFE
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