O município de Silves foi atingido pelos incêndios que há quatro dias devastam o distrito de Faro, em Algarve (sul), e que exige o bloqueio de um trecho da estrada IC1, que liga Lisboa ao sul do país. Este é o incêndio mais grave dos nove que se mantêm ativos em Portugal e obrigou as autoridades a desocuparem duas cidades e a transferirem para o local os equipamentos aéreos que estavam combatendo as chamas em Aljezur.
O comandante dos bombeiros da região, A. Vilarin Reis, mostrou-se pessimista e reconheceu que com os equipamentos disponíveis não é possível controlar a situação, que se vê prejudicada pela intensidade do fogo, pelas altas temperaturas e pelo forte vento.
"A situação é muito complicada, as frentes são muito ativas e com o agravante da formação de bolsões de ar quente, que dão instabilidade aos aviões e fazem com que a água seja lançada de uma altitude considerável e não diretamente sobre as chamas, o que faz com que se perca eficácia no combate", disse Vilarin.
O comandante explicou que, inicialmente, se pensava que os meios disponíveis - mais de 300 bombeiros, apoiados por unidades dos distritos de Setúbal, Lisboa e Leiria - seriam suficientes para controlar as chamas que há quatro dias devastam três municípios de Algarve, mas o incêndio de Silves complicou a situação. Os bombeiros tentam evitar que o foco do incêndio que afeta o município de Aljezur se propague para a estrada nacional 120, o que atingiria as áreas turísticas do litoral português.
O Centro Nacional de Socorro informou que continuam sem controle três focos de incêndio no distrito de Guarda e que dois deles afetam o Parque Natural da Serra da Estrela.
Outros dois incêndios se mantêm ativos na região de Oporto (norte), nos municípios de Canaveses e Santo Tirso. Além disso, no distrito de Leiria foram deflagrados três focos que estão sendo combatidos por 48 bombeiros apoiados por um helicóptero e 11 caminhões.
Diante da gravidade da situação, o ministro da Administração Interna, Antonio Figueiredo Lopes, anunciou hoje que recomendará ao primeiro-ministro do país, José Manuel Durão Barroso, que amplie ao distrito de Faro as medidas excepcionais estabelecidas ao ser declarado estado de "catástrofe nacional".
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