Calor já matou mais de 100 na França

12 de agosto de 2003 • 09h53 • atualizado às 13h01
Suíço tenta fugir do calor com um chapéu-guarda-chuva Foto: AP
Suíço tenta fugir do calor com um chapéu-guarda-chuva
12 de agosto de 2003
Foto: AP

O presidente da Associação de médicos de urgências hospitalares da França (Amuhf), Patrick Pelloux, anunciou hoje que o número de mortos pela onda de calor na França supera os 100. O médico afirma ter pedido às autoridades para mobilizarem o Exército e a Cruz Vermelha, que reforçariam os serviços médicos.

Sem entrar na polêmica sobre o número de mortes, o ministro da Saúde, Jean-François Mattei, declarou que está consciente da "realidade do problema" nos hospitais lotados, especialmente de idosos. Em uma entrevista ao jornal Le Parisien, Mattei insistiu na necessidade que os cidadãos, especialmente os idosos e as crianças, se protejam do calor com gestos tão simples como fechar as janelas e beber líquidos em abundância. Espera-se que as temperaturas, que superam os 40 graus, comecem a cair a partir da próxima quinta-feira no norte da França, segundo os serviços meteorológicos.

O calor também está interferindo no fornecimento de energia na França e na Alemanha, onde a segurança foi reforçada nas centrais nucleares. As principais centrais nucleares dos dois países foram autorizadas, desde a semana passada, a escoar para os rios ou para o mar as águas que usam para o esfriamento de suas centrais. A medida foi criticada pelos ecologistas, mas defendida pelos governos, devido às difíceis condições de abastecimento de energia elétrica provocadas pelo calor.

Suíça
A Suíça registrou ontem a temperatura de 41,5ºC em Grono (cantão de Grisones, no sudeste) um recorde histórico de calor só divulgado hoje. Pela primeira vez nos 139 anos em que são feitas as medições de temperatura, o país superou os 40°C. O recorde anterior, de 39ºC, fora registrado na Basiléia (norte), em 1952.

Itália
Na Itália, os meteorologistas registram recordes absolutos de calor e prevêem mais dias quentes pela frente. De acordo com o serviço meteorológico nacional italiano, no Norte e no Centro do país as temperaturas se aproximam dos 40ºC e os níveis de umidade rondam os 100%. Em Milão, a temperatura chegou aos 39,3°C ontem e a umidade atingiu os 95%. Na capital lombarda, o nível de alerta da saúde pública ultrapassou os limites recomendáveis há vários dias. A imprensa atribui ao calor a morte de pelo menos 15 pessoas, 8 em Milão e 7 em Turim.

No país, o termômetro se mantém acima dos 30°C desde o início de agosto até mesmo no norte do país, onde foram registradas temperaturas excepcionais em Veneza (35,6°), Gênova (35°), Turim (37,1°) e Trieste (37,2°). No centro, em Florença, foi registrada uma máxima de 41,1° e, em Roma, 36,8°. De acordo com o governo não faz tanto calor na Itália desde 1750.

Portugal
Pelo quarto dia consecutivo, as chamas consumem o maciço rochoso de Serra de Monchique, no extremo sul de Portugal, sem que os bombeiros consigam controlar o fogo. As chamas continuam avançando em duas frentes muito extensas e três helicópteros alemães de combate a incêndios se uniram a três aparelhos pesados do mesmo tipo e outros dois leves que já operam no setor.

De acordo com o comandante Antonio Gualdino, do Centro Nacional de Coordenação dos Socorros, as constantes mudanças de direção dos ventos complicam muito as tarefas dos bombeiros. São esperados novos reforços do exécitos para os 345 bombeiros e 90 soldados que já se encontram na região.

O fogo, que ontem se aproximou perigosamente do povoado de Aljezur, não representa risco imediato para as construções locais, segundo o Centro de Socorros. Os habitantes de outro povoado, Marmalete, que foram evacuados no domingo puderam voltar a suas casas. Mais ao Norte, principalmente no parque natural de Serra da Stela, que arde há uma semana, três incêndios em zonas de difícil acesso ainda não podiam ser controlados hoje pela manhã.

No outro extremo do país, focos de menor importância ainda não eram controlados nas regiões do Porto (norte) e Vila Real (nordeste). Desde o final de julho, os gigantescos incêndios já deixaram 15 mortos e quase 200 mil hectares destruídos, com perdas estimadas em um bilhão de euro. Conforme o ministro da Securidade Social, Antonio Bagao Felix, 85 famías perderam total ou parcialmente suas moradias, enquanto que 240 pessoas ficaram sem trabalho.

Redação Terra
 
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