O Líbano decretou três dias de luto nacional em homenagem ao ministro cristão maronita de 34 anos, assassinado perto de Beirute no mais recente atentado de uma série que tem como alvo personalidades anti-sírias.
As celebrações previstas para o 63º aniversário da independência do Líbano nesta quarta-feira foram canceladas, mas os aliados de Gemayel, que consideram a Síria responsável pelo atentado, homenagearam seu "mártir caído pela independência" do país, dentro das profundas divisões entre pró-sírios e anti-sírios.
O corpo do ministro foi recebido nesta quarta-feira por uma multidão de simpatizantes em Bikfaya, região natal da família Gemayel, no coração das montanhas libaneses, antes do funeral previsto para as 13H00 (09H00 de Brasília) de quinta-feira na catedral São Jorge dos Maronitas, no centro de Beirute.
O caixão, coberto com uma bandeira branca estampada com o cedro do Líbano - emblema do partido das Kataeb (falanges) do ex-presidente Amin Gemayel, pai do ministro assassinado - chegou a bordo de um carro funerário e foi recebido pelo povoado de luto e enfeitado com fotos de Pierre Gemayel.
Centenas de pessoas acompanharam a passagem do carro ao som dos sinos da igreja e jogaram arroz e pétalas de flores, em meio a choros de revolta e dor.
Os partidários de Pierre Gemayel esperam transformar seu funeral numa demonstração de apoio ao governo do primeiro-ministro Fuad Siniora e contra-atacar as ações iniciadas pela oposição pró-síria para ganhar mais influência no governo.
Horas depois do assassinato, denunciado de forma unânime pelas grandes capitais ocidentais e pela ONU, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou o projeto de criação de um tribunal internacional para julgar os responsáveis pelo assassinato de Rafic Hariri, ocorrido em 14 de fevereiro de 2005 em Beirute, meses depois da ruptura com Damasco e do fim de três décadas de tutela síria sobre o Líbano.
Funcionários sírios e libaneses foram acusados do crime, segundo o relatório de uma comissão de investigação da ONU.
O projeto de tribunal reclamado pela ONU e pelo governo libanês despertou fortes divisões entre o setor pró-sírio e a maioria anti-síria, no poder desde as eleições de 2005 que se seguiram ao atentado.
Saad Hariri, filho de Rafic Hariri, acusou na véspera a Síria "de querer matar todos os homens livres do Líbano", enquanto Siniora prometeu que os "assassinatos não aterrorizarão os atuais dirigentes do país".
A Síria, por sua vez, condenou um crime que, segundo Damasco, visa a "desestabilizar o Líbano".
Este novo atentado acontece num momento em que a oposição pró-síria realiza novas ações para ganhar uma influência maior no governo, depois da ofensiva militar de Israel contra o poderoso movimento xiita libanês Hezbollah em julho e agosto.
O Hezbollah disse que o assassinato de Gemayel visa "empurrar o Líbano para o caos e a guerra civil".
Seis ministros pró-sírios, entre eles cinco xiitas do Hezbollah e do movimento Amal, ambos apoiados pela Síria, renunciaram recentemente ao gabinete, tendo como alegação oficial o fracasso para se criar um governo de unidade no qual a oposição exige ampliar sua influência.

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