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 Chirac adverte que querem promover liquidação da V República
09 de novembro de 2006 13h59

O presidente francês, Jacques Chirac, lançou hoje uma advertência dizendo "que querem liquidar a preço de saldo" a herança institucional deixada pelo fundador da V República francesa, o general Charles de Gaulle.

No 36° aniversário da morte do general de Gaulle e a seis meses das eleições presidenciais, Chirac enviou esta mensagem a todos os que reivindicam uma reforma institucional na França, entre os quais se encontra o ministro do Interior, o conservador Nicolas Sarkozy, que se proclama representante da "ruptura".

Em seu livro "Testemunhos", Sarkozy propõe uma reforma das instituições francesas, com uma Presidência da República "menos monárquica": o chefe de Estado é chefe das Forças Armadas e responsável máximo da política externa, entre outros poderes.

"A quem por ignorância ou por cálculos (eleitoreiros) quer rachar esse edifício lhe digo que meçam todas as responsabilidades que suporia liquidar a preço de saldo o que é de costume em nossas instituições", ressaltou Chirac.

A V República, fundada em 1958 por Charles de Gaulle, "deu à França o que lhe faltava desde décadas: uma excepcional solidez institucional e uma destacável capacidade de adaptação", declarou Chirac em discurso em Colombey-les-deux Eglises.

Nessa localidade do nordeste da França está o túmulo do general de Gaulle e ali, como a cada ano, Chirac foi depositar uma coroa de flores e, além disso, inaugurar a pedra fundamental de um Memorial dedicado à vida e à obra do militar.

Construído aos pés da Cruz da Lorena, esse Memorial, cujo custo estimado é de 15 milhões de euros, terá 1.600 metros quadrados e deve abrir suas portas em junho de 2008 e receber 125.000 visitantes por ano.

Chirac - esteve ao lado do filho do general, Philippe de Gaulle, de 82 anos - afirmou, com um tom grave, que a atual Constituição permitiu à França "superar todas as crises e enfrentar todas as situações políticas".

Nesta visita a Colombey-les-deux Eglises, Chirac foi acompanhado pela sua esposa, Bernardette, e pelo primeiro-ministro, Dominique de Villepin, além da titular da Defesa, Michele Alliot-Marie.

Sarkozy não foi à homenagem a de Gaulle, embora segundo pessoas próximas a Chirac ele teria sido "bem-vindo".

Sarkozy, que tem realizado comícios de pré-candidatura, apresenta um discurso dentro de um conceito de "ruptura" com a equipe no poder no Palácio do Eliseu e em Matignon (sede do Governo), do qual ele faz parte.

Com relação à globalização, Chirac disse hoje que a França tem que se afirmar como potência para "elevar bem alto seus valores universais" a todo o mundo, ressaltou, ao reiterar sua defesa do multilateralismo e do diálogo entre culturas, além de rejeitar o choque de civilizações e o uso unilateral da força.

Segundo Chirac, esses conceitos já eram defendidos por De Gaulle, de quem louvou sua dupla faceta de "construtor" institucional e "visionário", assim como sua "grandeza", "coragem" e "dignidade".

Na mensagem do general de Gaulle estão "as chaves do futuro" da França, concluiu Chirac, a quem seus inimigos acusam de restar muito pouco da atitude gaulista em sua conduta.

EFE
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