Terroristas anunciam criação de Estado islâmico no Iraque

15 de outubro de 2006 • 13h42 • atualizado às 14h03

O Conselho da Shura dos Mujahedin, uma aliança de organizações terroristas liderada pela Al Qaeda, anunciou a criação de um Estado islâmico em parte do Iraque.

Em vídeo divulgado neste domingo pela rede catariana Al Jazira, que não deu detalhes de como nem quando obteve a gravação, um homem disse que "a 'Coalizão dos Mutayibin' anuncia a criação do Estado da Justiça e do Islã, que governará o povo de acordo com a lei de Deus".

A formação tem como objetivo "proteger nossa religião e nossa gente", acrescenta o homem. No vídeo, ele explica que o Estado Islâmico do Iraque incluirá as províncias de Al-Anbar (oeste), Salahedin (noroeste), Diyala (nordeste), Ninawa e Kirkuk (norte), além de parte da Babilônia e Waset (centro).

"Peço aos líderes tribais e às personalidades dessas províncias que proclamem Abu Omar el-Baghdadi como líder deste Estado", acrescentou.

Bagdá, "capital do califado islâmico", seria a capital do Estado, já que "foi edificada por nossos antepassados, e não devolveremos mais que com o preço de nossa vida", acrescentou.

O homem também diz que esse Estado será "um escudo impenetrável para os habitantes sunitas da terra de Mesopotâmia (Iraque)".

O anúncio da criação desse Estado chega "depois que os curdos garantiram um Estado no norte e que os 'rafidas' (termo depreciativo para se referir aos xiitas) tenham conseguido a aprovação do federalismo para o sul e o centro do Iraque", acrescentou.

Na quarta-feira passada, o Parlamento iraquiano aprovou um projeto de lei que permitirá no futuro a formação de regiões autônomas, apesar da oposição da minoria árabe sunita e da ausência de quase metade dos parlamentares iraquianos.

Em uma sessão com a presença de apenas 138 deputados, do total de 275 da Câmara iraquiana, todos os presentes votaram a favor da lei, que modifica o limite das competências a cargo das 18 províncias iraquianas.

Os curdos têm autonomia em três províncias do norte do país, enquanto parte da majoritária população xiita exige o controle do sul do país, onde essa comunidade é maioria.

Enquanto isso, as autoridades iraquianas anunciaram o adiamento indefinido da conferência de reconciliação nacional que deveria ocorrer em 21 de outubro, com a presença dos principais líderes políticos do país.

O anúncio foi feito através de um comunicado do Ministério para Assuntos do Diálogo Nacional iraquiano, afirmando que a medida foi tomada "por razões alheias à vontade do ministério".

Essa conferência é a terceira da quatro previstas no plano de reconciliação nacional promovido pelo primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki.

A primeira e a segunda foram realizadas no mês passado com a participação de lideres tribais e representantes de organizações civis, e a quarta será com os clérigos dos diferentes credos.

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