Coréia do Norte diz que segundo teste nuclear dependerá dos EUA

11 de outubro de 2006 • 03h58 • atualizado às 09h03

A Coréia do Norte avisou hoje que a realização de novos testes nucleares, após o de segunda-feira, dependerá do tratamento recebido por parte dos Estados Unidos.

Em declarações à agência japonesa "Kyodo", o segundo homem na hierarquia do regime norte-coreano, Kim Yong-Nam, acrescentou que a volta da Coréia do Norte ao diálogo multilateral sobre seus programas nucleares depende também da atitude dos EUA. As palavras de Kim Yong-Nam, presidente do Presidium da Assembléia Popular Suprema, são as primeiras declarações oficiais de um membro da cúpula da Coréia do Norte desde o teste nuclear de segunda-feira.

A realização de futuros testes "está ligada à política dos Estados Unidos em relação à Coréia", afirmou Kim.

"Se os EUA continuarem com uma atitude hostil, aplicando diferentes formas de pressão sobre nós, não teremos remédio a não ser adotar ações físicas para conduzir a situação", disse o segundo homem mais poderoso da Coréia do Norte, após o líder Kim Jong-Il.

Kim Yong-Nam minimizou a possibilidade de o Conselho de Segurança da ONU impor sanções à Coréia do Norte. Ele afirmou que seu país pode enfrentar a contingência.

"Mesmo se aumentarem as pressões econômicas, nossa economia em geral está entrando na rota do crescimento", disse.

Hoje, um representante diplomático norte-coreano afirmou à agência "Kyodo" em Pequim que a imposição de sanções "em grande escala", com um embargo total e o bloqueio econômico, será vista como "uma declaração de guerra".

Sobre a possível volta da Coréia do Norte às conversas multilaterais sobre o seu programa nuclear, Kim Yong-Nam exigiu que os EUA suspendam as sanções impostas a instituições financeiras relacionadas com o Governo norte-coreano e acusadas de lavagem de dinheiro e falsificação de dólares.

"O retorno ao diálogo também depende da atitude de Washington.

Não podemos nos sentar para conversar enquanto continuarem impondo diversas sanções, inclusive financeiras", argumentou.

Kim Yong-Nam também minimizou a importância das ameaças do Japão de impor suas próprias sanções econômicas. "Vivemos sem a ajuda japonesa até agora e continuaremos assim", disse.

O Japão estuda um embargo à importação de todo tipo de produtos da Coréia do Norte e o fechamento das fronteiras japonesas aos cidadãos norte-coreanos.

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