Estados Unidos e Coréia do Norte: meio século de tensões

03 de outubro de 2006 • 12h41 • atualizado às 12h41

Estas são as datas mais importantes nas difíceis relações entre a Coréia do Norte e os Estados Unidos: 1945 -- 35 anos de colonização nipônica na península coreana chegam ao fim com a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial. A Coréia é dividida pelo paralelo 38 entre um Norte apoiado pelos soviéticos e sob o comando de Kim Il-Sung e um Sul protegido pelos Estados Unidos.

1950 -- A Coréia do Norte lança uma ofensiva surpresa contra a Coréia do Sul no dia 25 de junho de 1950, iniciando a Guerra da Coréia. Uma coalizão liderada pelos Estados Unidos revida e retoma Seul, capital da Coréia do Sul. A China intervém.

1953 -- A Guerra da Coréia termina em 1953 com um armistício assinado no dia 27 de julho, mas sem um Tratado de Paz. Teoricamente, as duas Coréias continuam em guerra.

1968 -- O USS Pueblo, um navio espião americano, é capturado pela Coréia do Norte. Depois de onze meses de uma intensa crise com Washington, os 83 membros da tripulação são libertados.

1969 -- A Coréia do Norte abate um avião de reconhecimento americano.

1988 -- Os Estados Unidos impõem sanções à Coréia do Norte após incluírem o país na lista dos que apóiam o terrorismo.

1989 -- Fotos de satélite americano revelam a existência de um centro nuclear em Yongbyon, ao norte da capital norte-coreana Pyongyang. Washington acusa a Coréia do Norte de desenvolver armamentos nucleares, o que o regime comunista nega. 1994 -- A Coréia do Norte e os Estados Unidos assinam um acordo bilateral segundo o qual Pyongyang se compromete a congelar e desmantelar seu programa nuclear militar em troca da construção de reatores civis.

1999 -- O ditador norte-coreano Kim Jong-Il decreta uma moratória sobre os testes de mísseis. Washington suspende as sanções.

2000 -- Primeira reunião: negociações diplomáticas entre americanos e norte-coreanos iniciam uma reconciliação.

Janeiro de 2002 -- O presidente americano George W. Bush inclui a Coréia do Norte entre os países do "eixo do mal", ao lado do Irã e do Iraque.

Outubro de 2002 -- O emissário americano James Kelly anuncia que a Coréia do Norte admitiu estar desenvolvendo um programa de enriquecimento de urânio, o que seria uma violação ao acordo de 1994. Washington suspende o fornecimento de petróleo previsto no tratado. Agosto de 2003 -- Segunda reunião: porta-vozes multilaterais em Pequim: a Coréia do Norte ameaça fazer um teste nuclear, declara-se potência atômica e qualifica as negociações de "inúteis".

Junho de 2004 -- Terceira reunião: O encontro de porta-vozes multilaterais termina sem avanços significativos. A Coréia do Norte se retira do processo, queixando-se da "hostilidade" dos Estados Unidos.

26 de julho de 2005 -- Quarta reunião: Os Estados Unidos lembram que consideram a Coréia do Norte como um país "soberano" e reafirmam que não têm a intenção de atacá-la. 19 de setembro de 2005 -- Os seis países que realizam as discussões multilaterais (as duas Coréias, China, Estados Unidos, Japão e Rússia) adotam uma declaração conjunta na qual Pyongyang e Washington se comprometem em normalizar progressivamente suas relações.

Novembro de 2005 -- A Coréia do Norte se nega a voltar às negociações multilaterais travadas há três anos para tentar obter que Pyongyang abandone seu programa nuclear.

Julho de 2006 -- 5: Depois de dois meses de crise, a Coréia do Norte dispara entre sete e dez mísseis, entre eles um Taepong 2, capaz de chegar ao litoral norte-americano. Os lançamentos ocasionam uma forte crítica da comunidade internacional.

-- 15: Sanções adotadas por unanimidade contra a Coréia do Norte no Conselho de Segurança da ONU.

-- 2 setembro: Coréia do Norte classifica de "virtual declaração de guerra" um teste americano de antimísseis.

-- 3 outubro: Pyongyang anuncia que realizará um teste nuclear para reforçar sua "autodefesa" frente aos Estados Unidos e à "ameaça de guerra nuclear".

afp/cn AFP 031242 OCT 06

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