Na mesquita de Al-Azhar, no Cairo, um centro tradicional de estudos sunitas, centenas de muçulmanos participaram de uma demonstração batizada pelos organizadores de Dia da Indignação.
No polêmico discurso, o papa citou um imperador bizantino do século 14 que criticava o Islã pela determinação de disseminar a fé pela violência.
O orador da mesquita egípcia criticou a resposta inicial do papa à polêmica. "Não só nós não aceitamos seu pedido de desculpas, mas suas palavras insultantes deveriam ser eliminadas do texto", disse ele.
O papa Bento 16 disse que lamentava a reação que o discurso havia causado e que não compartilha das opiniões do imperador. Mas ele não respondeu aos pedidos para explicar suas próprias opiniões sobre o Islã, o que fez alguns muçulmanos suspeitarem que ele concorda com algumas das atitudes hostis de direitistas europeus e norte-americanos.
O Vaticano disse na sexta-feira que o papa vai se reunir com embaixadores muçulmanos no Vaticano e líderes islâmicos italianos na segunda-feira para tentar acalmar os ânimos.
Oradores das cerimônias islâmicas de sexta-feira no Cairo ligaram o papa à invasão ou ocupação de países árabes e muçulmanos pelos Estados Unidos, por Israel e seus aliados.
"Acordem, muçulmanos! É uma conspiração entre o papa e Bush!", dizia uma faixa pendurada na mesquita.
"Parece que o Vaticano está oferecendo a justificativa religiosa para as guerras do Iraque e do Afeganistão", disse Kamal Habib, um intelectual que ajudou a organizar o protesto no Cairo.
"As declarações do papa são uma extensão das guerras das Cruzadas e já se conhece a posição negativa do papa sobre a questão palestina. Está muito claro", disse Mohamed el-Beltagi, parlamentar e integrante do grupo Irmandade Muçulmana.
Na Malásia, cerca de 300 muçulmanos fizeram um protesto pacífico depois das orações de sexta-feira. Em Islamabad, capital do Paquistão, cerca de 200 islamitas entoaram gritos de guerra contra os "inimigos do Islã". Houve manifestações menores em Karachi, Quetta, Multan e outras cidades.
"Se pegarmos o papa, vamos crucificá-lo para mostrar o quanto os muçulmanos respeitam seu profeta", disse Hafiz Hussain Ahmed, líder da aliança islamita Muttahida Majlis-e-Amal.
Também houve protestos em Cabul, capital do Afeganistão, e em Amã, capital da Jordânia. Em Teerã, depois das orações, cerca de 300 pessoas fizeram um ato de protesto, queimando bandeiras dos EUA, da Grã-Bretanha e de Israel.
(Reportagem adicional de Yousuf Azimy em Cabul, Parisa Hafezi em Teerã, Dina al-Wakeel em Amã, Jalil Hamid em Kuala Lumpur e do escritório de Islamabad)

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