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 Agressor de João Paulo 2º adverte Bento 16 a não ir à Turquia
20 de setembro de 2006 10h37 atualizado às 10h45

O homem que tentou matar João Paulo 2º em 1981 advertiu o atual papa, Bento 16, a não visitar a Turquia, dizendo que sua vida correria perigo, disse seu advogado na quarta-feira.

Os comentários foram feitos em meio a um furor no mundo muçulmano por causa das declarações do papa sobre o islamismo. Bento 16 agendou uma visita à Turquia, país predominantemente muçulmano, em novembro.

O papa Bento 16 está enfrentando uma pressão crescente para pedir desculpas pelos comentários que teriam retratado o islamismo como uma religião violenta. "Como alguém que conhece bem esses assuntos, digo que sua vida está em perigo. Não venha à Turquia", afirmou Mehmet Ali Agca, segundo um comunicado de seu advogado, Mustafa Demirbag.

"Além disso, não poderei encontrá-lo, pois estou na cadeia", declarou Agca. O papa João Paulo 2º visitou Agca em uma prisão de Roma, em 1983, e perdoou-o. Agca cumpre pena pelo assassinato do editor de um jornal, nos anos 1970, e também por roubo, e deve ser libertado em janeiro de 2010.

Em uma outra carta incoerente divulgada pelo advogado, Agca disse que o papa é uma vítima de um complô de agências de inteligência e pediu que ele renuncie e volte à Alemanha. O ex-gângster de direita passou 19 anos em uma prisão italiana pela tentativa de assassinato do papa João Paulo, antes de ser indultado por ordem do próprio papa, em 2000, e extraditado para a Turquia.

Ele foi brevemente libertado, em janeiro, mas um tribunal superior cancelou a decisão de soltá-lo. Seus motivos para atirar contra o papa na praça de São Pedro, em Roma, continuam um mistério. Alguns acreditam que ele era um mercenário a serviço dos soviéticos, alarmados pela feroz oposição do papa polonês ao comunismo.

Reuters
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