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 Papa volta a se explicar e diz que citação não reflete sua visão
20 de setembro de 2006 08h37

O papa Bento 16 disse nesta quarta-feira que as citações que usou durante um discurso criticando a violência do Islã não refletem suas opiniões e foram mal-interpretadas. Mas o pontífice não fez o pedido de desculpas inequívoco que muitos muçulmanos vinham exigindo.

O líder dos 1,1 bilhão de católicos do mundo afirmou que não teve a intenção de ofender os muçulmanos. O conteúdo do discurso, proferido na semana passada durante uma viagem à Alemanha, fez com que grupos ligados à Al Qaeda declarassem guerra contra a Igreja, iraquianos queimassem fotos do papa e turcos pedissem sua prisão.

Em meio a um forte esquema de segurança, o papa repetiu, durante a audiência geral de toda quarta-feira na praça São Pedro, o tom de suas declarações de domingo sobre o assunto, reiterando que suas palavras foram mal-interpretadas.

Ele manifestou seu "profundo respeito" pelos muçulmanos e incentivou que haja mais diálogo entre religiões e culturas.

Até os analistas mais simpáticos ao papa admitem que ele escorregou ao citar o imperador bizantino do século 14 Manuel 2o. Paleólogo, segundo o qual tudo o que o profeta Maomé trouxe foi o mal, como "sua ordem de disseminar pela espada a fé que pregava".

Mas o papa, ex-professor de teologia, pediu ao público que relesse o conteúdo da palestra. "Para o leitor atento do meu texto fica claro que de maneira nenhuma tive a intenção de tornar minhas as palavras negativas pronunciadas pelo imperador medieval, e que seu conteúdo polêmico não reflete minha opinião pessoal", disse ele. "Minha intenção foi bem diferente. Queria explicar que religião e violência não combinam, mas religião e razão, sim".

O papa disse esperar que a polêmica ajude a incentivar o "diálogo positivo e até autocrítico, tanto entre religiões como entre a racionalidade moderna e a fé cristã".

Ele manifestou seu "profundo respeito pelas grandes religiões, especialmente pelos muçulmanos, que adoram o Deus único e com quem estamos comprometidos a defender e promover a justiça social, os valores morais, a paz e a liberdade para toda a humanidade".

Apesar do reforço na segurança, por causa das ameaças e dos ataques a igrejas pelo mundo — sete sofreram depredações na Cisjordânia —, o papa circulou em meio a multidão no papamóvel aberto.

Uma fonte do Vaticano disse que o secretário de Estado do Vaticano vai convidar embaixadores de países islâmicos no Vaticano para uma reunião. Questionada se o objetivo do encontro era explicar as declarações do papa, a fonte disse: "Não há mais muito o que explicar, agora que o papa já falou duas vezes sobre isso. É um gesto de amizade".

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que está em Nova York para a Assembléia da ONU, falou sobre o assunto: "Pessoas em posições importantes devem tomar cuidado com o que dizem. O que dizem pode servir de desculpa para outro grupo começar uma guerra", afirmou ele à NBC.

Reuters
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