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Exército dá golpe de Estado na Tailândia

19 de setembro de 2006 13h46 atualizado às 14h57

Em um anúncio oficial, o Exército declarou a criação de um Conselho Administrativo para a Reforma. Foto: Reuters

Em um anúncio oficial, o Exército declarou a criação de um Conselho Administrativo para a Reforma
Foto: Reuters

O Exército tailandês assumiu o controle de Bangcoc nesta terça-feira sem disparar um único tiro e anunciou a criação de uma comissão para reformar a Constituição do país. Em Nova York, o primeiro-ministro Thaksin Shinawatra decretou estado de emergência.

O porta-voz do governo da Tailândia, que está em Nova York junto com o premiê para participar da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, disse que a tentativa de golpe em Bangcoc não teria sucesso.

"Alguns dos oficiais militares tentaram dar um golpe, mas nós confirmamos que eles não terão sucesso", disse o porta-voz Surapong Suebwonglee. "Agora nós estamos no controle".

Mas trata-se de um golpe de Estado, o primeiro em 15 anos no país. Tanques cercaram a sede do governo, e as TVs divulgaram um comunicado dizendo que os militares e a polícia controlam a capital e as províncias vizinhas. A nota pedia calma à população.

A tomada do poder seria temporária e o poder voltaria em breve para o povo, disse o tenente-general Prapart Sakuntanak em todos os canais de televisão.

O Exército declarou lei marcial, disse a todos os soldados que voltassem a seus quartéis e proibiu o movimento não autorizado de tropas.

Thaksin vinha enfrentando uma grave crise nos últimos meses, acusado por adversários de minar a democracia. O ex-premiê Weerasak Kohsurat disse que o assessor real Sumate Tantivejakul deve comandar a comissão de reforma constitucional, e que um governo interino seria formado enquanto as reformas políticas são definidas. Eleições seriam convocadas em breve, e Thaksin poderia se candidatar, segundo ele.

A nota foi divulgada logo depois de Thaksin telefonar de Nova York para um canal de TV para declarar que a capital estava sob severo estado de emergência. A transmissão foi interrompida após dez minutos, quando o primeiro-ministro, que fez fortuna no ramo das telecomunicações, ainda falava.

No seu pronunciamento pela TV, Thaksin, acusado de corrupção e abuso de poder, ordenou que as tropas não fizessem deslocamentos ilegais e exigiu que o comandante do Exército, Sonthi Boonyaratglin, se reportasse imediatamente ao primeiro-ministro interino Chidchai Vanasatidya. Determinou também que o comandante supremo das Forças Armadas, Ruangroj Mahasaranond, implemente o estado de emergência.

A Tailândia vinha fervilhando com especulações de um golpe. Motoristas ligaram na semana passada para emissoras de rádio depois de verem tanques se movimentando pela capital ¿ segundo o Exército, era um falso alarme, provocado pela volta de soldados de exercícios.

A eleição geral de outubro foi adiada na semana passada, provavelmente para novembro.

O baht tailandês sofreu queda frente ao dólar imediatamente depois da notícia de que tanques se aproximavam da sede do governo.

AFP
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