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 Muçulmanos britânicos também criticam declarações de Bento XVI
15 de setembro de 2006 11h55

Organizações muçulmanas britânicas se uniram hoje a seus correligionários de outras partes do mundo nas críticas às declarações do Papa Bento XVI, que consideram ofensivas para o Islã.

O Conselho Islâmico da Grã-Bretanha insistiu em que o Pontífice esclareça urgentemente suas afirmações. O secretário-geral do Conselho, Mohammed Abdul Bari, classificou as opiniões do imperador bizantino do século XIV Manuel II Paleólogo sobre o Islã, citadas por Bento XVI, como "mal informadas e intolerantes".

"Seria de esperar que um líder religioso como o Papa atuasse e falasse de modo responsável e repudiasse os pontos de vista do imperador bizantino em interesse da verdade e da harmonia nas relações entre os seguidores do Islã e do Catolicismo", acrescentou.

Segundo Bari, "infelizmente o Papa não tem feito isso, o que causou, compreensivelmente, preocupação e ofensa em todo o mundo muçulmano".

A fundação Ramadhan, organização juvenil islâmica com sede em Rochdale, comparou o atual Papa, desfavoravelmente, com seu antecessor, João Paulo II.

"Se o Papa queria atacar o Islã e as doutrinas do profeta Maomé, deveria ter tido suficiente coragem para fazê-lo diretamente, em vez de citar um imperador bizantino cristão do século XIV", afirmou em comunicado.

"O Papa anterior, João Paulo II, passou 25 anos construindo pontes e vínculos com a comunidade islâmica. Mostrou ao mundo que a idéia que se tinha do Islã era falsa e que somos pessoas amantes da paz", acrescenta.

O presidente da fundação, Mohammed Umar, afirmou que o "ataque de Bento XVI ao Islã e ao profeta Maomé significa que (o Papa) caiu na armadilha dos intolerantes e racistas ao julgar o Islã pelas ações de um pequeno número de extremistas".

As palavras que ofenderam o mundo muçulmano pertencem a um discurso feito pelo Pontífice em 12 de setembro, na cidade alemã de Regensburg, e no qual citou um diálogo entre o imperador Manuel II Paleólogo (1391) com um erudito persa.

Nele, o imperador pedia ao persa que lhe mostrasse algo novo que o mundo devia a Maomé e ele mesmo respondia que só encontraria coisas "más e desumanas, como sua ordem de divulgar a fé que anunciava usando a espada".

EFE
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