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 Papa abençoa órgão com seu nome e pede harmonia dos católicos
13 de setembro de 2006 11h49 atualizado às 12h03

O papa Bento 16 deu a benção na quarta-feira ao órgão que recebeu seu nome em uma igreja e aproveitou a imagem do instrumento musical para indicá-la como símbolo de como os católicos devem procurar harmonia dentro da sua diversidade.

No penúltimo dia de sua viagem de seis dias à Baviera, região da Alemanha onde nasceu, o papa tem uma programação tranqüila e deve passar a maior parte do tempo com seu irmão mais velho, Georg Ratzinger. A curta cerimônia foi o único evento público do dia.

Bento 16, de 79 anos, presidiu a consagração na Capela Antiga de Regensburg, igreja reconstruída no século 17 em estilo rococó, branco e dourado. O papa jogou água benta sobre o órgão.

Em seguida, caminhou 200 metros até a casa do irmão para almoçar. Mais tarde, os dois deveriam visitar o cemitério local, onde estão enterrados seus pais e sua irmã, para depois jantar na pequena casa que o papa ainda possui, nos arredores da cidade.

Em discurso curto, Bento 16 fez declarações que fizeram lembrar sua veemente defesa da ortodoxia católica quando era o chefe da doutrina da Igreja, entre 1982 e 2005.

"Num órgão, os tubos e as vozes precisam criar uma unidade", disse ele, que é um pianista talentoso. "Se alguma coisa fica bloqueada, se um tubo sai do tom, isso pode no começo ser perceptível apenas ao ouvido treinado. Mas, se mais tubos desafinam, a dissonância toma conta e o resultado é insuportável. Além disso, os tubos de um órgão ficam expostos às variações de temperatura e sujeitos ao desgaste", afirmou.

"Esta é uma imagem de nossa comunidade. Assim como em um órgão, a mão de um especialista precisa constantemente levar a desarmonia de volta à consonância", disse o papa.

Quando era chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, o então cardeal Joseph Ratzinger combateu a teologia da libertação, puniu vários teólogos liberais da Europa e da América do Norte e advertiu teólogos asiáticos para que não apagassem as distinções entre as religiões.

Pouco depois de ser eleito papa, em abril de 2005, a poderosa ordem jesuíta teve de ceder à pressão do Vaticano e derrubar o padre Thomas Reese do cargo de editor da revista America, que tinha publicado artigos pró e contra políticas católicas.

Mas Bento 16 vem tentando amenizar essa imagem de severidade com um estilo mais suave, ressaltando mais o lado positivo da fé católica do que a proibição ao controle de natalidade, ao sexo antes do casamento e ao uso de preservativos contra a Aids, assuntos que o papa João Paulo 2o costumava citar com freqüência.

Ao final da cerimônia, Bento 16 ouviu atentamente ao som do órgão, em que foram executadas algumas das peças mais famosas do alemão Johann Sebastian Bach.

O papa deu aulas de teologia na Universidade de Regensburg de 1969 a 1977, quando deixou a vida acadêmica e se transformou em arcebispo de Munique. Ele sempre quis voltar à cidade para escrever livros de teologia, mas o papa João Paulo 2p não lhe concedeu a aposentadoria.

Reuters
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