Órfãos do 11/9 perguntam sobre pais que nunca conheceram

11 de setembro de 2006 • 04h13 • atualizado às 04h13

Gabriel Jacobs, 4 anos, herdou de seu pai o cabelo claro, o nariz alongado e os olhos azuis. No dia em que ele e sua família enterraram os restos mortais de seu pai - um pedaço de uma costela, parte da coxa e uma porção de um braço - o garoto soltou um balão no ar e olhou para cima esperando que seu pai pegasse o presente.

» Capa do especial
» Galerias de fotos
» Fotos ampliadas
» Infográficos
» Vídeos
» Opine sobre os ataques

É assim que Gabriel tenta chegar ao pai que ele nunca vai conhecer. Ariel Jacobs morreu nos ataques ao World Trade Cente seis dias antes do nascimento de seu único filho. "Quando ele solta um balão e não conseguimos ver mais aquele pontinho no céu ele diz 'Ok, o balão chegou à porta do céu, acho que o papai pegou'", conta a mãe de Gabriel, Jenna.

Como Gabriel, são dezenas os órfãos do 11 de setembro de 2001 que nunca conheceram seus pais. Cinco anos após os ataques, à medida que eles entram na idade escolar, começam a se familiarizar com as histórias do dia que mudou suas vidas para sempre.

O primeiro desses órfãos veio ao mundo horas após os atentados, e o últimos deles nove meses depois. Algumas mães apenas tomaram conhecimento de sua gravidez depois das mortes - incluindo uma antiga assistente do então prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, que foi casada com o capitão do corpo de bombeiros Terence Hatton. O bebê nasceu muitos meses depois e ganhou o nome de Terri.

"É um fardo injusto para qualquer criança que perdeu seu pai", afirma Marylene Cloitre, diretora do Instituto de Traumas e Estresse da Universidade Nova York (NYU). "E pela tragédia pública que é o 11 de setembro, essas crianças sentem uma pressão para representar essa dor de forma ainda mais evidente".

À medida que as crianças desvendam as vidas de seus pais mortos, vêm as perguntas sobre a circunstâncias de sua morte, quem causou isso e onde foram parar os prédios. Marylene aconselha que o teor e a profundidade das conversas deve mudar de acordo com o amadurecimento da criança. Ela ainda prevê que, na adolescência, uma busca por identidade pode ser ainda mais dolorosa.

Tentando amenizar essas situações, Terilyn Esse tenta educar seu filho Jack Patrick com respostas desde já. "Qaundo ele começa a tocar no assunto procuro ensinar que seu pai mora no céu, com Deus e com anjos. Quando ele quer falar com o pai, digo que só precisa fechar os olhos e olhar para dentro do próprio coração".

AP - Copyright 2007 Associated Press. Todos os direitos reservados. Este material não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído.
 
Enviar para amigos
Fechar por:
Enviar para amigos
Fechar por:

Imprimir

Fechar
Mais vistos

Notícias

  1. Carregando...
leia mais notícias »