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Junto com aqueles que foram diretamente afetados pelos atentados, convivem milhões de nova-iorquinos, cujas vidas não foram significativamente alteradas, apesar do aumento visível da segurança, e dos incômodos que isso gera.
"Os nova-iorquinos se recuperaram bem. Creio que as pessoas seguiram em frente", indicou Nancy Foner, professora de sociologia do centro universitário Hunter College. "Está aí, sempre como pano de fundo, mas não acredito que afete os nova-iorquinos em seu dia-a-dia. E depois, já se passou algum tempo", comentou.
"A maioria dos nova-iorquinos não estava ali, não vivia perto daquela área, seu trabalho não foi afetado. As pessoas estavam perturbadas, mas acredito que, em menos de seis meses, a maioria dos nova-iorquinos tenha voltado à normalidade", indicou Nancy, que supervisionou a redação de uma obra sobre o impacto social da tragédia.
Um membro da Guarda Nacional que patrulha a estação de trem Grand Central explica que, embora o aumento da segurança lembre aos nova-iorquinos que eles vivem em um mundo pós-11 de Setembro, isso não parece ter alterado suas vidas.
"A cidade mudou, a segurança aumentou sensivelmente", citou o homem, de 50 anos, que vive no Brooklyn e não quis revelar seu nome. Ao mesmo tempo, os atentados influíram na determinação dos habitantes", indicou. "Os nova-iorquinos têm uma atitude firme, não impassível. Podem enfrentar qualquer coisa, e acredito que o 11 de Setembro tenha fortalecido essa postura." Os turistas, que inicialmente se mantiveram afastados, voltaram em massa, gastando cada vez mais, tanto nas lojas baratas da Broadway e de Lower Manhattan quanto nos estabelecimentos mais refinados da avenida Madison.
O gasto dos visitantes cresceu depois dos ataques, de 15 bilhões de dólares em 2001 para 23 bilhões em 2005, enquanto a previsão de turistas para o ano de 2006 mostra um aumento de 22% em relação às cifras de 2000.
Os turistas não se deixam intimidar pelo novo regime de segurança. Para uma aposentada de Connecticut que visitava Nova York, nem os atentados, nem a ameaça de novos ataques, tiraram o brilho da cidade. "Adoro Nova York. Os problemas que ela tem não importam. A vida é assim", comentou.
Para Steve Freedman, de 53 anos, a presença da polícia e dos militares é mais tranqüilizadora do que incômoda. "A primeira coisa que se percebe é a polícia, são as Forças Armadas. É uma infelicidade, mas tem que ser assim. São os novos tempos." Freedman acredita que a cidade sempre será alvo dos terroristas, mas que seguirá em frente, graças a seus habitantes. "A vida continua. Não podemos nos preocupar com tudo. Devemos agir como se nada tivesse acontecido. Este lugar é um lar. Não importa de onde venha, este é seu lar. Nova York sempre estará aqui", afirmou.
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