Bolivianos são presos por linchar suposto "bruxo"

07 de setembro de 2006 • 23h17 • atualizado às 23h36

A polícia boliviana prendeu oito pessoas acusadas de linchar até a morte um suposto bruxo no departamento de Beni, norte do país, segundo informou nesta quinta-feira a promotoria do distrito.

O homicídio foi cometido na terça-feira, no povoado de Camiaco, cerca de 70 km ao sul da cidade de Trinidad, explicou o promotor Iver Vargas, encarregado da investigação.

Segundo Vargas, a vítima foi Vidal Morales, de 27 anos. Ele foi espancado, queimado e esfaqueado por seus vizinhos da comunidade Loma del Amor.

Até mesmo alguns parentes do suposto feiticeiro, entre eles seu sogro e um de seus primos, teriam participado do linchamento. Eles disseram que temiam os rituais de Morales.

O primo, Antonio Fernández, declarou aos jornalistas que a comunidade tinha tomado a decisão de matar Vidal depois de surgirem os indícios de que ele havia sido responsável pela morte de cinco moradores, entre eles seu próprio irmão e uma prima.

Os habitantes de Loma del Amor tinham entregado o suposto bruxo às autoridades na terça-feira. Mas ele foi liberado por falta de provas. Segundo o promotor, na Bolívia "a bruxaria não é um crime".

Assim, os camponeses resolveram fazer justiça pelas próprias mãos para impedir que Morales supostamente continuasse prejudicando as pessoas com suas artes ocultas.

Os oito acusados do crime comparecerão nesta sexta-feira diante de um juiz de medidas cautelares.

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