Um fazendeiro indiano caminha com sua vaca em um terreno totalmente seco, em Bhopal |
26 de maio de 2003
Foto: AP
Os indianos estão rezando por chuva em templos e mesquitas, enquanto o número de mortes em consequência da onda de calor no país passou de 1.150 hoje. Autoridades advertiram que não haverá alívio imediato, já que as chuvas de monções do sudoeste não chegarão antes de domingo. As temperaturas deverão ficar em torno dos 47 graus Celsius nos próximos dois dias.
A maior parte das mortes foi registrada no Estado de Andhra Pradesh, com 1.139 vítimas de insolação e desidratação - em sua maioria condutores de riquixás (charretes puxadas por homens a pé), vendedores ambulantes e sem-teto. "A onda de calor não tem precedentes em termos de duração, mas as temperaturas passaram dos 48 graus no passado", disse C.V.V. Bhadram, diretor do serviço meteorológico na capital do Estado, Hyderabad.
A temperatura chegou a 49.6 graus Celsius no distrito de Bolangir, no Estado de Orissa (leste), e as autoridades fecharam as escolas da região. Grande parte da Índia também sofre com falta de água, já que rios, lagos e poços esgotaram-se na seca provocada pela fraca estação de chuvas de monções no ano passado. Dezenas de milhares de pessoas são obrigadas a andar quilômetros em busca de poços ou esperar durante horas sob o sol forte nas filas dos caminhões de água.
Autoridades do Estado de Gujarat, no oeste do país, ordenaram uma investigação sobre a falta de água na região, após a divulgação de um foto da Reuters nos jornais do país mostrando uma multidão em volta de um poço de uma aldeia. "Foi necessária uma foto de muita gente acumulada ao redor de um poço na aldeia de Natwargadh com jarros vazios para revelar a verdade", disse o jornal
The Times of India.
Quase 2,5 milhões de pessoas em mais de 7 mil vilas em parte de Gujarat ainda sofrem os efeitos da seca do ano passado, que foi a pior em décadas.