A função exata da Comissão ainda é desconhecida, mas Peretz disse hoje, em reunião com generais, que a criação do grupo não significa uma crítica ao Exército, segundo a rádio das Forças Armadas. "Trata-se de um exame profissional para tirar conclusões e lições", disse o ministro. A Comissão será liderada por Amnon Lipkin-Shahak, ex-chefe do Estado-Maior do Exército, e formada por generais reformados e personalidades do mundo econômico.
Desde o cessar-fogo, a atenção se desviou do campo de batalha, e tanto legisladores quanto a imprensa exigem uma profunda investigação da atuação do Governo e do Exército durante a crise. Pesquisa divulgada nesta quarta-feira mostra que 69% dos israelenses querem uma investigação sobre a atuação do Governo. O primeiro-ministro, Ehud Olmert, do partido Kadima, e Peretz, líder trabalhista, são os mais prejudicados pela insatisfação popular.
O premier e o ministro da Defesa foram os líderes mais visíveis do Executivo durante o conflito. Dois dos jornais mais importantes do país publicaram hoje diferentes pesquisas que mostram a queda do apoio dos israelenses a Olmert e Peretz.
Os dados contrastam com o amplo respaldo ao Governo nas primeiras semanas do conflito, iniciado em 12 de julho com a morte de vários soldados israelenses e o seqüestro de outros dois por milicianos do grupo xiita Hezbolá.
A pesquisa publicada pelo jornal Yedioth Ahronoth revela que o apoio ao primeiro-ministro israelense caiu de 78% para 40%, enquanto o respaldo a Peretz diminuiu de 61% para 28%. O segundo estudo, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Dahaf para o jornal Maariv, mostra que 57% dos entrevistados exigem a renúncia de Peretz ao cargo de ministro da Defesa.
A imagem do chefe das Forças Armadas, general Dan Halutz, também foi atingida, não especificamente por sua atuação, mas depois que a imprensa israelense informou que ele vendeu ações - no valor de mais de US$ 30 mil -, depois da captura dos dois soldados israelenses. O próprio Halutz alega que, quando deu essa ordem ao banco, "não sabia que a guerra ia explodir".
Embora o general se tenha apresentado como vítima de uma informação mal-intencionada e conte com o apoio de figuras como Peretz, a notícia abalou sua imagem pública. Halutz compareceu hoje à Comissão Parlamentar de Exteriores e Defesa. O militar disse aos legisladores que, quando o Executivo decidiu estender a operação terrestre até o rio Litani, a cerca de 30 quilômetros da fronteira, ignorava que o conflito chegaria ao fim em apenas 48 horas.
O general disse que há "questões fundamentais que precisam ser investigadas e fazer correções". Entretanto, afirmou, isso deve ser feito com pressa. "Não descarto que a situação possa esquentar outra vez". Parte dos erros que precisam ser analisados é mencionada hoje em artigo do jornal Ha'aretz intitulado "Como nos deixaram fora de combate".
O artigo cita, por exemplo, deficiências na previsão dos serviços de inteligência do Exército israelense e das principais autoridades políticas, que aparentemente seguiram estritamente as recomendações dos altos comandantes, pensando que em poucos dias poderiam derrotar o Hezbolá.
Também diz que "o Exército entrou na guerra sem formular planos operacionais alternativos", e aponta os erros nas estimativas dos serviços de inteligência da Marinha, que não foram capazes de descobrir que o Hezbolá possuía mísseis iranianos terra-mar.
O jornal insiste, entre outras coisas, na falta de previsão do Comando da Retaguarda, encarregado de ajudar a população em situação de guerra. O comando se limitou a avisar os residentes do norte, por meio da imprensa, de que deviam se proteger em refúgios, muitos deles despreparados.
Muitos se perguntam como foi possível que algumas unidades no Líbano se vissem obrigadas a lutar mais de 24 horas sem comida, ou que vários reservistas não contassem com o equipamento necessário, quando o Estado destina US$ 11 bilhões anualmente ao Orçamento de defesa.
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