Ari Rabinovitch
São Paulo
"Na verdade, os negócios estão caminhando bastante bem", afirmou Cohen. A cidade de Tel Aviv fica localizada a 220 quilômetros do Líbano, mas a um mundo de distância dos combates travados ali entre Israel e o Hizbollah. Até agora ele esteve livre dos ataques com foguete realizados diariamente pelo grupo contra o norte israelense.
As praias e restaurantes de Tel Aviv estão lotados. Muitos moradores do norte do país buscaram refúgio na cidade, aumentando o faturamento dos estabelecimentos locais.
"Os moradores do norte que vêem para cá dizem que precisam relaxar. Eles querem esquecer a loucura que está acontecendo lá. Então, todo mundo sai e continua a se divertir", afirmou Cohen.
Mas os temores de que o Hizbollah consiga atingir Tel Aviv com mísseis de longo alcance obrigaram as autoridades da cidade, localizada no centro de Israel, a preparar abrigos antiaéreos.
"Há 235 abrigos antiaéreos públicos em toda a cidade e, na semana em que a guerra começou, nós os preparamos com equipamentos, macas e água", disse Betty Yosef, porta-voz do governo municipal.
A cidade também conta com salas de segurança e abrigos particulares construídos em várias residências.
"O governo municipal realizou vários exercícios amplos a fim de se preparar para eventuais ataques com foguete. Todas as equipes de resgate participaram dessas operações", afirmou Yosef. "Mas, fora isso, a cidade continua com sua rotina".
Para Udi Effin, de 18 anos, que aproveita suas últimas férias de verão antes de se alistar para servir nas Forças Armadas por três anos, continuar com a rotina significa sentar em sua prancha de surf na praia, em Tel Aviv, e fumar um hookah (narguilé) com os amigos.
"A guerra não chegou a Tel Aviv", disse, com um sorriso no rosto. "Ouvimos as notícias e vemos as imagens vindas do norte, mas, quando a gente desliga a TV, a vida volta ao normal. Tudo está tão longe de nós".
Tel Aviv foi atingida por um míssil, pela última vez, na Guerra do Golfo (1991). Naquele conflito, 39 mísseis Scud chegaram a Israel, deixando danos materiais, mas poucas vítimas.
Sasson Gassi, proprietário de um bar, lembra que passou horas em seu abrigo antiaéreo, no norte de Tel Aviv, quando os Scuds caíam perto da casa dele.
"Se houver necessidade, estaremos preparados", afirmou Gassi. "Mas a cidade não está tão nervosa como em 1991".
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