Seis governantes da América Latina foram na manhã de hoje à Casa Rosada (sede do Governo) para participar de uma série de audiências com Kirchner iniciada com uma reunião entre o novo governante argentino e o herdeiro da Coroa espanhola, Felipe de Borbón.
Na reunião com o Príncipe de Astúrias, Kirchner recebeu uma mensagem do Rei da Espanha na qual foi oficialmente convidado a visitar o país, disseram fontes da comitiva que acompanha Felipe de Borbón.
Com meia hora de diferença, o novo chefe do Estado da Argentina recebeu depois separadamente os presidentes do Uruguai, do Peru, da Colômbia, da Bolívia, da Venezuela e do Equador, e ainda se reúne à tarde com o líder cubano, Fidel Castro.
Kirchner assumiu o poder neste domingo em ato que teve a presença de doze governantes latino-americanos e do Príncipe de Astúrias, entre outros representantes de países, entre eles quatro vice-presidentes e cerca de vinte ministros.
Entre os mais fervorosos defensores de uma maior integração da América Latina esteve o governante da Venezuela, Hugo Chávez, que propôs hoje a Kirchner a criação de uma frente para a "transformação econômica e política" dos países da região.
Chávez disse aos jornalistas que "está se formando uma massa crítica para um grande acordo" regional e esclareceu que a frente que propôs não seria "contra os Estados Unidos, mas sem dúvida seria pró-latino-americana, de independência, de transformação econômica e política".
"A Venezuela quer ser membro" do Mercosul, bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, e do qual Bolívia e Chile são sócios comerciais.
Caracas quer integrar "não apenas o Mercosul econômico, mas também o político, e isso pode ser feito imediatamente", afirmou Chávez.
O presidente do Peru, Alejandro Toledo, pediu que os países latino-americanos olhem mais para si mesmos em vez de para os Estados Unidos e para a Europa, e redefinam "o conceito de integração" nessa mesma linha.
"O tema central é uma América Latina unida. Nunca como antes os latino-americanos exigem de seus líderes a capacidade de independência e de união", não só comercial, mas também política, afirmou ao sair de seu encontro com Kirchner.
Por sua parte, o governante da Bolívia, Gonzalo Sánchez de Lozada, pediu que o Mercosul trabalhe para fechar o acordo comercial com a Comunidade Andina de Nações (CAN), do qual seu país faz parte.
Sánchez de Lozada disse que determinou com o presidente argentino a realização de uma reunião ministerial bilateral a fim de "tratar uma estratégia" para fortalecer a integração econômica regional.
Ele destacou que a CAN, bloco de países formado por Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, tem "um firme compromisso" de chegar a um acordo de livre comércio com o Mercosul.
O presidente do Uruguai, Jorge Batlle, afirmou ter ficado com "uma excelente impressão" em seu primeiro encontro com o novo chefe de Estado argentino, no qual, segundo disse, ambos falaram "das coisas que importam para o Mercosul".
Fidel Castro destacou o "clima de otimismo e esperança" dos argentinos com a chegada de Kirchner ao poder, após homenagear o general José de San Martín no monumento que lembra o herói da independência da Argentina, do Chile e do Peru na região norte de Buenos Aires.
"Este grande país, junto ao resto da América Latina, andará para frente, terá sucesso e juntos venceremos", afirmou o líder cubano, aclamado por ativistas de esquerda em cada uma de suas aparições públicas.
O governante da Colômbia, Álvaro Uribe, qualificou como "muito construtiva" sua reunião com Kirchner, e afirmou que além dos problemas de seu país, conversou com o novo presidente argentino sobre a possibilidade de aumentar os laços comerciais bilaterais.
Uribe disse que a ajuda dos Estados Unidos à Colômbia para derrotar o terrorismo e o narcotráfico beneficia todo o continente americano, e por isso não é incompatível com uma maior união da América Latina.
Nas audiências com os presidentes da região, Kirchner foi acompanhado pelo ministro das Relações Exteriores, Rafael Bielsa; pelo "número dois" da chancelaria, Martín Redrado; pelo chefe do Gabinete de ministros, Alberto Fernández, e pelo secretário da Presidência, Oscar Parrilli.
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