Chávez se disse "muito otimista" com a chegada ao poder de Kirchner e "com a situação que se vive, se percebe e se sente" na Argentina com a mudança de governo.
O presidente venezuelano foi um dos governantes da América Latina que assistiram ontem à posse Kirchner e foram hoje separadamente à Casa Rosada para se reunir com o novo chefe do Estado argentino.
Na audiência, que durou cerca de meia hora, Chávez deu a Kirchner uma réplica de um sabre que pertenceu ao Libertador Simón Bolívar, herói da independência da Venezuela, do Equador e da Colômbia.
Depois da reunião, Chávez disse aos jornalistas que propôs a Kirchner a "aceleração" da assinatura de convênios de cooperação entre ambos os países para que eles "reconquistem o tempo perdido", assim como a concretização da integração da Venezuela ao Mercosul.
"A Venezuela quer ser membro" do bloco integrado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, e do qual Bolívia e Chile são sócios comerciais.
O país andido quer integrar "não apenas o Mercosul econômico, mas também o político, e isso pode ser feito imediatamente", afirmou.
Depois de dizer que "está se formando uma massa crítica para um grande acordo" regional, Chávez afirmou que a frente que propôs não seria "contra os Estados Unidos, mas sem dúvida seria pró-latino-americana, de independência, de transformação econômica e política".
"É legítimo que a América do Norte defenda os seus interesses, mas também é legítimo que nós defendamos os nossos. Também não se trata de buscar confrontos, trata-se de que temos que nos reencontrar conosco mesmos" e promover a união do sul, acrescentou.
O presidente venezuelano disse que "como é preciso dar forma e corpo reais à união", falou com Kirchner sobre a possibilidade de formar "uma espécie de Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) latino-americana, que poderia se chamar Petro Sul".
Chávez também elogiou o fato de Kirchner ter dito em seu discurso de posse diante do Congresso que o pagamento da dívida externa depende do bom desempenho da economia local.
"Eu aplaudo esse discurso e disse há anos que nós, os países latino-americanos, devemos nos unir, sobretudo os que têm maior peso de dívida", entre eles a própria Venezuela, afirmou.
O presidente venezuelano disse que seu país "pagou mais de US$ 20 bilhões nos últimos quatro anos e a dívida não diminui".
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