Em sua primeira audiência oficial como novo presidente argentino, Kirchner recebeu o Príncipe Felipe das Astúrias, herdeiro da coroa espanhola, e depois o presidente do Uruguai, Jorge Batlle.
Batlle qualificou de "excelente" a reunião com Kirchner e disse que as duas nações trabalharão juntas para fortalecer o Mercosul, que também é integrado por Brasil e Paraguai.
Kirchner receberá na tarde de hoje o presidente de Cuba, Fidel Castro, que de manhã, em suas primeiras declarações públicas desde que chegou a Buenos Aires no sábado, disse que percebe um clima de "otimismo e esperança" na Argentina com o novo governo.
Durante um ato num parque do bairro da Recoleta, onde foi condecorado pelo prefeito de Buenos Aires, Aníbal Ibarra, Castro expressou sua "mais profunda convicção de que este grande país, ao lado dos outros países latino-americanos, marchará adiante, terá êxito e juntos venceremos".
Kirchner, que chegou à sede de governo às 08H30 locais (mesmo horário de Brasília), ainda terá encontros com os presidentes Lucio Gutiérrez (Equador), Alejandro Toledo (Peru), Gonzalo Sánchez de Losada (Bolívia), Alvaro Uribe (Colômbia), Hugo Chávez (Venezuela) e Alfonso Portillo (Guatemala).
Também receberá o presidente da Corte Constitucional da França, Ives Guena, e o secretário da Habitação dos Estados Unidos, Mel Martínez.
Todos eles assistiram no domingo a cerimônia de posse do peronista Kirchner, celebrada no Congresso, que terminou com uma recepção oferecida pelo Chefe de Estado às delegações estrangeiras no Palácio San Martín, sede da Chancelaria.
Ao assumir a presidência, Kirchner pediu aos argentinos que sonhem com a a justiça social. Além disso, prometeu a reconstrução das políticas de Estado, um combate frontal à corrupção e o não pagamento da dívida ao custo da fome do povo.
O mandato de Kirchner, ex-governador da província de Santa Cruz, vai até 2007. Sua posse contou com a presença de 13 Chefes de Estado da América Latina, incluindo o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
Kirchner defendeu o equilíbrio fiscal, reafirmou a demanda de soberania sobre as Ilhas Malvinas em poder da Grã-Bretanha, reivindicou a aliança estratégica do Mercosul e rejeitou as lideranças messiânicas.
O presidente argentino também citou uma "relação séria, ampla e madura com os Estados Unidos e com a União Européia" e defendeu a obra pública como motor da economia, com a promessa de recuperar o papel central do Estado, ao contrário do liberalismo hegemônico que imperou na década de 90.
Kirchner também deu posse ontem a um gabinete majoritariamente integrado por peronistas, que inclui, entre outros, o ministro da Economia, Roberto Lavagna, que estabilizou os indicadores financeiros fundamentais do país em 2002, e o chanceler Rafael Bielsa, um constitucionalista de centro-esquerda.
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