Néstor Kirchner ao lado do presidente Lula |
Em seu discurso, que durou 50 minutos, Kirchner afirmou que a Argentina honrará seus compromissos financeiros, mas destacou que "não se pode voltar a pagar a dívida às custas da fome e exclusão dos argentinos, gerando mais pobreza e conflitos sociais".
"Não se trata de não cumprir os compromissos com a dívida, mas tampouco podemos pagar às custas de adiar a educação e saúde dos filhos dos argentinos", disse.
O novo presidente defendeu o equilíbrio fiscal. "Não se pode gastar mais do que entra. Crescendo nossa economia, crescerá nossa capacidade de pagamento da dívida".
Ele afirmou que o Estado cumprirá "um papel central" no desenvolvimento do país e na promoção de um "capitalismo nacional", em oposição ao neoliberalismo hegemônico dos anos 90.
Diante dos aplausos dos congressistas, o novo presidente disse que a luta contra a corrupção "será implacável". Destacou que o capitalismo nacional promoverá "a mobilidade social" e indicou que "não se trata de se fechar ao mundo, mas de assumir um compromisso com a nação".
Kirchner prometeu liderar "o desafio da mudança" em um esforço para "fundar" o país, e pediu que toda a sociedade participe da tarefa.
"Mudança é o nome do futuro." O novo chefe de Estado instou os argentinos a "inventarem o futuro" e disse que as ações de seu governo se concentrarão na luta contra a pobreza, a corrupção e as desigualdades sociais.
O novo governante se disse favorável a um equilíbrio entre as políticas do Estado e a ação da iniciativa privada, pois "o mercado organiza economicamente, mas não articula socialmente".
Falando sobre política externa, Kirchner rejeitou os "alinhamentos automáticos" e disse que sua prioridade será "a construção de uma América Latina politicamente estável, próspera, unida e com base em ideais de justiça social". "O Mercosul e a integração americana devem ser parte de um verdadeiro projeto regional."
Kirchner tomou o juramento dos ministros que formarão seu gabinete, a maioria peronista progressista. Durante a cerimônia no Salão Branco da Casa Rosada, prestou juramento primeiro o chefe de gabinete, Alberto Fernández, e depois os demais ministros, entre eles o da Economia, Roberto Lavagna, que mantém o cargo exercido durante o governo de Eduardo Duhalde.
A cerimônia de posse
Pela primeira vez na história recente da Argentina, a cerimônia foi realizada no Congresso, a pedido de Duhalde, que lembrou que seu mandato, de caráter interino, foi dado pelo Poder Legislativo. Duhalde entregou o cargo, o bastão e a faixa presidencial nas cores azul e branca como a bandeira do país a Kirchner.
Ele assume o poder após a renúncia do ex-presidente Carlos Menem a concorrer no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o domingo passado, diante da perspectiva de uma derrota arrasadora.
Antes do juramento, a Assembléia Legislativa argentina proclamou Kirchner presidente, ao aprovar o respectivo projeto de resolução. A proclamação formal contou com a presença da grande maioria dos legisladores, que aplaudiram a leitura e a aprovação do projeto.
Ele é o 52º presidente da história argentina e o sexto desde a volta da democracia, em 1983. Daniel Scioli foi proclamado vice-presidente da Argentina.
Participaram da cerimônia 13 chefes de Estado de países latino-americanos. Entre os participantes da cerimônia estão os presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, do Chile, Ricardo Lagos, de Cuba, Fidel Castro, da Venezuela, Hugo Chávez, do Peru, Alejandro Toledo, além do herdeiro da Coroa espanhola, Felipe de Borbón e do ministro das Relações Exteriores de Portugal, Antonio Martins da Cruz.
Kirchner, de 53 anos, um advogado originário da Patagônia que até a segunda-feira passada foi governador da província de Santa Cruz, assume o poder apoiado por amplos setores do peronismo, o partido governante, e grande apoio nas pesquisas. O novo chefe de Estado ficou em segundo lugar no primeiro turno das eleições, realizado em 27 de abril, mas foi proclamado presidente eleito depois de seu adversário no segundo, Carlos Menem, desistir da disputa nas urnas.
A primeira-cidadã
Cristina Fernández, a esposa do novo presidente argentino, não seguiu o protocolo que estabelece que a primeira-dama acompanhe seu marido na posse e assistiu a cerimônia de sua cadeira de senadora.
Cristina, advogada de 50 anos, somou hoje seu voto aos dos restantes dos deputados e senadores argentinos que se reuniram na Assembléia Legislativa para consagrar Kirchner novo presidente.
A poucos metros de distância, a senadora, que têm dito que será "primeira cidadã e não primeira-dama", acompanhou emocionada o juramento de seu marido e a transferência dos símbolos presidenciais, a faixa celeste e branca e o bastão de comando.
Redação Terra