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 Cuba está alerta contra possível agressão dos EUA
03 de agosto de 2006 16h39 atualizado às 22h38

Cuba reforçou os meios de combate e a mobilização popular, invocando uma eventual ofensiva dos Estados Unidos e dos exilados de Miami, e reafirmou que o Partido Comunista é o único "herdeiro" de Fidel Castro. O ambiente, que era de calma desde que, na última segunda-feira, Fidel delegou o poder ao irmão, começou a mudar nesta quinta-feira, com anúncios oficiais de um "alerta combativo" e os primeiros chamados da oposição no exílio por um levante dentro da ilha, contra o governo comunista.

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Tribunas improvisadas sobre blindados, atos de apoio ao governo nos centros de trabalho, reservistas convocados e o reforço da vigilância nos bairros dão a medida do estado de "alerta combativo" decretado por causa do quadro de saúde de Fidel. "Os meios de combate estão prontos para nos defender", anunciou hoje o jornal oficial "Granma" em sua capa, enquanto a imprensa local, controlada pelo Estado, apelou para o patriotismo e convocou insistentemente a população a enfrentar "as ameaças do império e a máfia terrorista".

Líderes do exílio cubano em Miami concordam que a doença de Fidel representa uma oportunidade de forçar uma mudança política na ilha, e que se pode conseguir um levante cívico ou militar. Congressistas cubano-americanos indicaram que, em poucos dias, os Estados Unidos farão "anúncios" sobre Cuba, incluindo mudanças em sua política migratória para a ilha, mas Washington adotou uma cautela surpreendente após a entrega provisória do poder na ilha.

"Convocamos os destacamentos para evitar as saídas ilegais, que são um pretexto que sempre tiveram para provocar uma agressão ao nosso país", anunciou o coordenador nacional dos Comitês de Defesa da Revolução (CDR), Juan José Rabilero. Os CDR, unidades de bairro que reúnem mais de 7 milhões de pessoas, "foram convocados para a defesa da pátria, tentando fazer com que haja um apoio incondicional à guerra de todo o povo", acrescentou.

A tensão e expectativa aumentam com o passar das horas, sem que faça a primeira aparição pública o ministro da Defesa, Raúl Castro, de 75 anos, proclamado por Fidel seu substituto temporário. Em clara resposta às incertezas sobre o futuro do país com Raúl à frente, o Granma lembrou hoje a frase que este último lançou em 14 de junho, diante dos comandos militares: "O comandante-em-chefe da Revolução Cubana é um só, e apenas o Partido Comunista pode ser o digno herdeiro".

Os atos de "reafirmação revolucionária" em apoio aos irmãos Castro são liderados por outros membros do alto escalão do PCC, como o presidente del Parlamento, Ricardo Alarcón, o único que, depois de Fidel, falou sobre a saúde do "comandante", afirmando que ele está consciente.

Juanita Castro Ruz, irmã de Fidel e exilada em Miami desde 1964, disse ontem que o líder cubano "saiu da terapia intensiva e aguarda para ver o que acontece". A saúde de Fidel continua motivando mensagens no mundo. "Espero, de todo coração, que ele se recupere o mais rapidamente possível", disse hoje o líder norte-coreano, Kim Jong Il. Há dúvidas sobre a participação de Fidel na Reunião de Cúpula dos Não-Alinhados, em setembro, na qual ele deveria assumir a presidência do movimento.

AFP
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