Raúl Castro, irmão de Fidel, assume o governo de Cuba

01 de agosto de 2006 • 12h54 • atualizado às 12h54

Aos 75 anos de idade, quase 48 deles como o número dois de Cuba, Raúl Castro assumiu provisoriamente na segunda-feira plenos poderes na ilha, delegados pelo irmão Fidel, que se recupera de uma complicada operação intestinal. Em um comunicado lido pela televisão cubana, Fidel Castro pediu ao Partido Comunista (PCC), à Assembléia Nacional (Parlamento), às organizações políticas e de massas que apóiem sua decisão e prossigam com a revolução.

Outros integrantes do PCC, como Carlos Lage, Esteban Lazo, José Ramón Balaguer, José Ramón Machado Ventura, Francisco Soberón e Felipe Pérez Roque, receberam tarefas prioritárias, uma espécie de equipe de sucessão.

O anúncio parece um teste de fogo para o que já havia sido anunciado por Raúl Castro no dia 14 de junho diante da cúpula militar: o comandante-em-chefe da revolução cubana é apenas um e seu único herdeiro digno é o PCC. Porém, na percepção de seus partidários, Raúl Castro não tem problemas quanto a ser o número um de Cuba, pois suas duas grandes paixões na vida são a revolução que começou em 1959 e seu irmão Fidel.

Ministro das Forças Armadas Revolucionárias (FAR), segundo secretário do Partido Comunista (PCC), primeiro vice-presidente dos Conselhos de Estado e Ministros, Raúl é o substituto designado do irmão, por quem professa uma ilimitada admiração e respeito. Filho do espanhol Angel Castro e da cubana Lina Ruz, Raúl Castro nasceu no dia 3 de junho de 1931 em Birán, atual província de Holguín (leste), e dedicou quase toda vida, desde a escola, a apoiar o irmão líder. Estudante de Economia, afiliado à Juventude Comunista, se uniu a Fidel Castro no assalto ao Quartel Moncada, em 1953, uma tentativa frustrada de derrubar o ditador Fulgencio Batista.

Ao lado de Fidel foi para a prisão na Ilha de Pinos (hoje Ilha da Juventude, ao sul de Havana); seguiu o irmão ao México para preparar a expedição do iate Granma e foi um dos primeiros rebeldes de Sierra Maestra. Em janeiro de 1959, mês de triunfo da revolução, foi nomeado segundo comandante do Movimento 26 de julho. Desde então é o número dois do país.

As forças rebeldes que combateram na serra se transformaram, sob seu comando, em um Exército moderno que foi ocupando nos últimos anos setores chaves da economia, como o turismo, por meio do grupo empresarial Gaviota. Raúl Castro teve muitas vezes que exercer o papel de fiscal político em problemas internos. Por isso tem uma imagem de homem duro.

Geralmente considerado mais pragmático, às vezes se atribui a Raúl Castro uma vontade de reforma inspirada nas experiências chinesa e vietnamita, nas quais parece muito interessado em virtude das freqüentes visitas a Pequim e Hanói. Os que o conhecem de perto o classificam de dirigente rígido e enérgico, assim como o pai dedicado de quatro filhos, com bom senso de humor, que gosta de camping e escalar montanhas.

Desde janeiro de 1959 é casado com Vilma Espín, uma dirigente urbana da luta clandestina contra a ditadura, que se incorporou à guerrilha, e foi destacada à Segunda Frente Oriental Frank País, dirigida por Raúl. Espín chegou a ser alta dirigente do PCC e do Parlamento, preside a Federação de Mulheres e na prática é a primeira-dama do país, ante a ausência pública da esposa do presidente.

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