Hezbolá é milícia e partido político

12 de julho de 2006 • 14h42 • atualizado às 14h56

O Hezbolá é um influente grupo radical xiita libanês, que conta com um braço político e outro armado, conhecido como a Resistência Islâmica. O Hezbolá (Partido de Deus) foi fundado no Líbano em 1982 após a invasão israelense em meio à guerra civil do país árabe. Nasceu com o objetivo de criar uma república islâmica e sua "ideologia" tem como base um forte sentimento antiisraelense e anti-ocidental.

O grupo, aliado do Irã, que o apóia econômica e politicamente, mantém ainda estreitos laços com a Síria. Liderado pelo xeque Hassan Nasrallah, o Hezbolá é hoje mais do que uma simples guerrilha antiisraelense, pois chegou a se constituir como um grupo político solidamente implantado na sociedade e na vida política libanesa, tendo inclusive representação parlamentar.

Para os xiitas, que representam 35% da população libanesa, o Hezbolá é, acima de tudo, um bastião político. O grupo tem uma significativa milícia regular no sul, foco de tensão entre os partidos nacionais libaneses, pois alguns consideram que o braço armado do Hisbolá deveria se incorporar ao Exército regular libanês, enquanto outros defendem a manutenção do status quo.

O Hezbolá angariou a atenção do mundo com o atentado que matou 241 marines americanos e 58 pára-quedistas franceses em Beirute, no dia 23 de outubro de 1983. Em 1996, após a operação israelense "Uvas da ira" contra alvos da organização libanesa, Hisbolá e Israel comprometeram-se a deixar os civis dos dois lados a salvo de suas hostilidades na chamada "zona de segurança".

Após esse compromisso, foi estabelecido um Comitê de Vigilância da Trégua, integrado por Síria, Estados Unidos e França, cuja missão era supervisionar o respeito ao cessar-fogo na região. No entanto, as duas partes violaram o cessar-fogo várias vezes.

Em 14 de fevereiro de 2000, o Hezbolá estabeleceu uma aliança promovida pelo Irã com duas organizações fundamentalistas muçulmanas palestinas: o Hamas e a Jihad Islâmica. Como partido político, o Hisbolá tem mantido uma significativa representação no Parlamento libanês.

Obteve oito cadeiras nas eleições legislativas de 1992 e sete no de 1996. Em junho de 1998, o Líbano realizou as primeiras eleições municipais em 35 anos. Nelas, o Hezbolá consolidou seu domínio no sul e no leste do país. Nas eleições legislativas de 2000, reafirmou sua presença nacional com a obtenção de 12 cadeiras.

Nas últimas eleições legislativas, realizadas em junho de 2005, o grupo radical xiita obteve 14 cadeiras. Desde a formação do novo gabinete liderado por Fouad Siniora, o Hezbolá tem um ministro, Mohammad Fneich, titular da pasta de Recursos Hidrelétricos.

Além de ter braços armado e político, o Hezbolá realiza um trabalho social que lhe garante um apoio popular de peso. Seu principal trunfo é a criação de uma rede de hospitais, colégios, centros comunitários, organizações beneficentes e pontos de distribuição de alimentos com livre acesso para todos os libaneses, muçulmanos e cristãos.

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