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China conclui etapa da maior hidrelétrica do mundo

20 de maio de 2006 19h37 atualizado em 21 de maio de 2006 às 00h16

A China terminou no sábado a construção do gigantesco dique da Represa de Três Gargantas, um marco no maior projeto hidrelétrico do mundo, que também tem o objetivo de domar as enchentes do rio Yangtzé.

O líder nacionalista chinês Sun Yat-sen propôs esse projeto já em 1918 e Mao Zedong certa vez deu rédeas à sua vertente poética, expressando suas esperanças de criação de uma "muralha de pedra" da qual "um lago calmo" surgiria entre as gargantas.

Operários e autoridades marcaram a conclusão da maciça muralha no sábado, numa cerimônia transmitida ao vivo pela televisão estatal. Uma banda tocou e houve chuva de confete depois que os operários despejaram a última porção de concreto na barragem.

Ao contrário do lançamento da obra na represa, em 1997, em que estiveram presentes o então presidente Jiang Zemin e o primeiro-ministro Li Peng, não compareceram à cerimônia deste sábado nenhuma autoridade de primeiro escalão.

A imprensa estatal elogiou a decisão da empreiteira responsável pelo projeto de desistir de um plano de gastar mais de 1 milhão de iuans (US$ 125 mil) na cerimônia e optar por um evento mais simples, que custou apenas algumas centenas de iuans, afirmando que isso enfatiza o fato de que a construção do dique significa apenas o fim parcial do projeto.

As autoridades destacaram que, apesar da maior parte da construção da represa estar agora completa, ainda há muito trabalho a ser feito.

Ajuda externa
Para tanto, a empreiteira pediu a ajuda de duas empresas alemãs de engenharia no projeto de um mecanismo de comportas para levantarem os navios, disse a agência de notícias oficial Xinhua.

"A introdução de cooperação externa no projeto tem o objetivo de garantir a segurança", disse Li Yongan, gerente geral da Empresa de Desenvolvimento do Projeto de Três Gargantas, segundo a Xinhua. A agência informou que essa será a primeira participação estrangeira no projeto.

Em editorial, o jornal oficial China Daily publicou que se deve lembrar das mais de 100 pessoas mortas durante a construção da represa, assim como as 1,3 milhão que tiveram que ser desalojadas para a formação do reservatório da represa.

"A melhor forma de pagar uma dívida de gratidão como essa é garantir que os maiores padrões de segurança e qualidade sejam observados até o fim de todo o processo de construção", disse o editorial.

Uma das principais funções da represa é domar as inundações do Yangtzé, que mataram muitos milhares de pessoas durante séculos.

Mas o projeto, de US$ 25 bilhões e que se tornou um símbolo do poder emergente e domínio tecnológico da China, é controvertido desde que foi concebido, devido ao seu impacto ambiental e ao efeito sobre a população.

Quando o parlamento aprovou o projeto, em 1992, quase a metade de seus membros votaram contra ¿ uma rara manifestação de oposição no Estado de partido único.

Para muitos ambientalistas, o reservatório da represa, que terá a profundidade de 156 metros até outubro, se tornará um escoadouro de água de esgoto e poluentes industriais, e que a criação dessa enorme massa de água artificial pode ter efeitos ecológicos não previstos. Os críticos também censuram o impacto da retirada forçada de um número tão grande de pessoas de suas casas.

A conclusão completa do projeto está prevista para 2009, quando o reservatório atingir seu nível máximo e suas 26 turbinas entrarem em funcionamento, elevando a capacidade total de geração de energia para 18 gigawatts.

A represa tem 185 metros de altura e 2.309 metros de comprimento. As eclusas da represa consumiram 27 milhões de metros cúbicos de concreto.

Reuters
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