A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que os EUA estão dispostos a ajudar o dissidente chinês Chen Guangcheng, que anunciou nesta sexta-feira o desejo de estudar em uma universidade dos Estados Unidos com sua família.
"Todos nossos esforços pretendem atender sua escolha e nossos valores", afirmou Hillary em entrevista coletiva em Pequim após o término do Diálogo Econômico e Estratégico realizados entre EUA e China nos últimos dois dias. O ativista Chen Guangcheng informou hoje à Agência Efe que deseja viajar ao país americano.
Da mesma forma, a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Victoria Nuland, disse em comunicado que espera uma tramitação rápida por parte da China e destacou que os vistos terão "máxima prioridade" para o Governo americano.
Em contrapartida, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinesa, Liu Weimin, foi favorável à viagem do dissidente. "Chen está em liberdade e é um cidadão como qualquer outro, portanto pode solicitar o passaporte pelos métodos e procedimentos normais", disse em entrevista coletiva.
Através de um comunicado divulgado pela agência oficial "Xinhua", o Governo chinês havia informado que autorizaria o advogado cego a solicitar estudos fora do país e a tramitar os documentos necessários para a viagem. A secretária de Estado considerou a iniciativa chinesa "encorajadora" e afirmou que a decisão responde "não somente às aspirações dos mil milhões de pessoas da China, mas às dos bilhões do mundo inteiro".
A partir das iniciativas políticas, o caso de Chen, advogado autodidata e cego desde os cinco anos, passou por um giro decisivo. Na última quarta, o caso do dissidente foi a tona, após ele se refugiar por seis dias na Embaixada dos EUA, depois de ter fugido de sua casa de Shandong, onde cumpria prisão domiciliar ilegal desde setembro de 2010. No momento ele permanece em um hospital de Pequim.
A princípio Chen afirmou que desejava ficar na China e aceitou um acordo mediado por Hillary para continuar seus estudos no país asiático. No entanto, o advogado mudou de opinião horas depois e disse ter sido coagido.
A negociação entre China e EUA sobre Chen ocorreu em paralelo ao IV Diálogo Econômico e Estratégico entre as duas potências mundiais, encerrado hoje em Pequim. Os EUA receberam fortes pressões da opinião pública internacional e de ativistas de direitos humanos, que criticaram a opção inicial de Chen ficar na China sem garantias necessárias para assegurar sua proteção e a de sua família.
Diante da repercussão, Chen recebeu a proposta de uma bolsa de estudos de estudos em uma Universidade americana, onde poderá ir acompanhado de sua mulher e seus dois filhos.
Chen, condenado em 2006 a mais de quatro anos de prisão após denunciar abortos e esterilizações forçadas a sete mil mulheres de sua província, colocou as duas potências mundiais em uma situação delicada, já que as eleições americanas ocorrem em novembro e haverá um revezamento da cúpula comunista um mês antes.

