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Heterogeneidade marca processos eleitorais em 2012 pelo mundo

23 dez 2012
09h58

Neste ano, ao observar os principais resultados eleitorais ao redor do mundo, dá dizer que houve um pouco de tudo: continuismo, alternância, pequenas mudanças e marcos históricos. Em pontos diferentes do mundo, os eleitores foram às urnas buscando soluções para situações distintas, às vezes extremas.

Obama comemora com sua mulher, Michelle, e as filhas Sasha e Malia após ser reeleito nos Estados Unidos
Obama comemora com sua mulher, Michelle, e as filhas Sasha e Malia após ser reeleito nos Estados Unidos
Foto: AFP

A velha democracia americana, por exemplo, decidiu dar mais quatro anos para Obama tentar tirar o país da crise, que começou lá atrás, em 2008. Afetada pela mesma crise, a França decidiu o contrário. Deu uma nova chance para a esquerda após 17 anos. No Egito, quem tem a chance nas mãos é o povo, que pela primeira vez elegeu um presidente.

Na Rússia, a situação não mudou quase nada. Putin voltou ao poder e tem a chance de permanecer até 2024. A única diferença é que os russos estão começando a se insurgir contra o ex-espião da KGB. Situação semelhante viveu a Venezuela. Chávez venceu e segue lá, mas com uma oposição fortalecida após uma eleição disputada.

No México, o PRI volta ao poder para tentar dar um fim à violência que já toma o lugar do Estado. E na China, onde a alternância não é possível, também houve a escolha de um sucessor. Governado em um sistema de partido único, o país alçou um novo secretário-geral do Partido Comunista da China (PCCh) que irá automaticamente assumir a presidência.

Confira a seguir um resumo dos principais pleitos eleitorais de 2012.

Rússia
Em março, o chamado "homem forte" da política russa, Vladimir Putin, retornou ao poder para suceder o atual mandatário Dmitri Medvedev. Respaldado por 45,6 milhões de eleitores, mais de 63% dos votos, Putin confirmou o favoritismo, garantindo mais seis anos de governo. Ele, que presidiu o Kremlin por oito anos - entre 2000 e 2008 -, assegurou o triunfo eleitoral no primeiro turno. A priori, tudo vai bem para o ex-membro do serviço secreto russo, o KGB: teoricamente ele poderá renovar o mandato uma segunda vez e se manter no Kremlin até 2024, tornando-se o político há mais tempo no poder depois do ditador soviético Joseph Stalin.

No entanto, desta vez, a permanência de Putin na função é ameaçada pelo estancamento da economia, como a que a União Soviética sofreu na época de Leonid Brejnev (presidente entre 1964 e 1982), e pela contestação política sem precedentes por parte da população. As forças da oposição contestaram a vitória de Putin, alegando fraude no resultado das eleições e acusando a situação de "limpar os pés com os cidadãos". Milhares de manifestantes anti-Putin organizaram protestos no centro de Moscou, mas as mobilizações foram repelidas pela polícia.

França
Com 51,9% dos votos contra 48,1% do rival, o socialista François Hollande derrotou Nicolas Sarkozy nas eleições presidenciais de maio. A vitória de Hollande marcou o retorno da esquerda à presidência, 17 anos após o fim do segundo mandato do ex-presidente socialista François Mitterrand, em 1995. Mitterrand - a principal inspiração do novo mandatário - foi sucedido pelo conservador Jacques Chirac (1995 - 2007), e depois por Nicolas Sarkozy (2007 - 2012), ambos do partido de direita União por um Movimento Democrático.

Em junho, o Partido Socialista também recuperou a maioria parlamentar na Assembleia Nacional, deixando outra marca histórica: desde a Revolução Francesa, a esquerda nunca esteve tão forte no país. O resultado dos pleitos foram apenas a primeira etapa de um desafio nada fácil para a esquerda, iniciado em plena crise econômica e com as urnas tendo apresentado um desejo de mais investimentos em áreas como segurança e imigração. Do lado dos conservadores, a derrota representou o final da dupla "Merkozy" (a premiê alemã Angela Merkel e Nicolas Sarkozy), que ditou a resposta da União europeia aos problemas econômicos durante os últimos dois anos.

Egito
Em junho, os egípcios elegeram o primeiro presidente escolhido em eleições livres depois da revolta popular que derrubou o regime do ex-presidente Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011. Candidato da Irmandade Muçulmana, poderoso movimento político do país, Mohamed Mursi também se tornou o primeiro islamita a comandar o país árabe mais povoado. Ele venceu o ex-militar da Aeronáutica Ahmed Shafiq - ex-premiê de Mubarak - no segundo turno com 51,7% dos votos.

Apesar de defender a bandeira de um "islã moderado" durante a campanha, o Egito atualmente vive momentos de tensão. Milhares de opositores a Mursi protestam contra o referendo sobre uma polêmica nova Constituição e contra um decreto com o qual o presidente concedeu poderes excepcionais a si mesmo. As manifestações lembram as de fevereiro de 2011, quando a revolta causou a queda de Mubarak.

México
O Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México por 71 anos, mais do que nenhuma outra organização política na América Latina, recuperou o poder depois de 12 anos na oposição. O responsável pela retomada foi o jovem político Enrique Peña Nieto, 46 anos. Ele venceu o esquerdista Andrés Manuel López Obrador nas eleições de julho, por 37% contra 31% do adversário.

O novo advogado terá que utilizar toda a sua juventude para superar os problemas que estão à frente. O México enfrenta a maior onda de violência relativa ao tráfico de drogas de sua história. O governo de Felipe Calderón, que deixou o cargo, precisou recorrer ao exército para lidar com a escalada na criminalidade que começou em 2006. Além da brutalidade dos cartéis, Peña Nieto terá outros dois grandes desafios: corrupção em todas as camadas da sociedade e exposição à crise econômica mundial.

Venezuela
Em outubro, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, conseguiu um inédito quarto mandato, mas viu a sua popularidade cair frente à maior mobilização da oposição desde que ele assumiu o poder em 1999. Ele obteve 54% dos votos contra 44% de Henrique Capriles (7.444.082 contra 6.151.544, vantagem superior a um milhão de votos). Em meio a meses de incertezas sobre o seu verdadeiro estado de saúde, a vitória de Chávez chegou enquanto ele ainda se recuperava dos sucessivos tratamentos quimioterápicos em Cuba na luta contra um câncer na região pélvica que o afetava desde 2011.

Candidato único da oposição, o jovem Henrique Capriles foi o maior desafio eleitoral do líder bolivariano em 14 anos. Apesar de ainda frágil politicamente, Capriles conseguiu preservar a unidade da coalizão opositora, com cerca de 30 organizações políticas de direita, centro e esquerda, aglutinadas apenas pela vontade de combater Chávez. Mesmo derrotado, Capriles sinalizou que manterá as rédeas da oposição e será uma das principais lideranças "anti-chavistas".

Estados Unidos
Desafiado pelo republicano Mitt Romney e envolto em dúvidas pelo seu desempenho à frente da Casa Branca, Barack Obama se reelegeu presidente em novembro. No Colégio Eleitoral, o democrata ganhou 332 votos contra 206 do adversário. No discurso da vitória, em Chicago, Obama revisitou o discurso da esperança, tema central de sua vitória em 2008, para dar a receita do novo mandato em Washington (2013-2016). No entanto, a esperança renovada das frases do mandatário erguem-se em meio a incertezas que a lentidão da recuperação econômica e os ataques da campanha do rival republicano despejaram sobre os fatores que o levaram à vitória há quatro anos.

Mais grisalho e reeleito com menos apelo que da outra vez, Obama tem pelo menos cinco grandes desafios no novo mandato: lidar com os perigos da frágil recuperação econômica para controlar o orçamento; encontrar um posicionamento no mundo árabe, para tentar resolver problemas como a questão nuclear iraniana e a violência na Síria; descobrir como lidar com a força do Partido Republicano no Congresso; organizar a bagunça no acordo da reforma tributária, que atualmente recompensa alguns setores da economia em detrimento de outros; e retomar as políticas climáticas, após o fracasso da legislação na área em 2010 e o desinteresse sobre o assunto nos debates presidencias.

China
Em novembro, o Comitê Central do Partido Comunista designou Xi Jinping como o novo secretário-geral e o "número um" da lista de sete membros do Comitê Permanente, principal órgão reitor da legenda. Desta forma, Xi, 59 anos, assumirá a presidência da China em março de 2013, sucedendo Hu Jintao. A nomeação deu o primeiro passo na transição da quarta para a quinta geração de líderes comunistas. O partido renovou 15 de seus 25 membros - 60% - e incluiu duas mulheres no Politburo, órgão de decisão intermediário entre o Comitê Permanente, formado por sete pessoas, e o Comitê Central, de 376 delegados.

Com informações das agências AFP, EFE, Reuters e da CNN

Fonte: Terra

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