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Hessel, autor de "Indignai-vos" e humanista universal, morre em Paris

27 fev 2013
11h16

O pensador, escritor e diplomata franco-alemão Stéphane Hessel, autor do popular manifesto "Indignai-vos", que influenciou uma série de movimentos pelo mundo, morreu nesta quarta-feira aos 95 anos em Paris, na França.

O manifesto de Hessel foi a inspiração de um recente movimento mundial de protesto contra as injustiças sociais e econômicas. Mas sua atuação começou bem antes: na redação da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), seu trabalho diplomático e humanista teve uma constante preocupação pelo respeito aos demais, mas também pelo estímulo à ação.

Em entrevista recente à Agência Efe, concedida em Paris, Hessel disse que além de ter encorajado o jovem a se indignar, o que é necessário agora mais do que nunca é "se comprometer".

"Ou seja, antes de tudo é preciso dar confiança às jovens gerações. Estas não são incapazes de transformar o mundo que vai mal em um mundo muito melhor. É preciso ter esperança", disse na ocasião.

Em movimentos bastante conhecidos, como o "Occupy Wall Street", é possível encontrar pensamentos divulgados -e multiplicados pelas modernas redes sociais- por um idoso em seu apartamento parisiense.

Apesar de sempre exibir otimismo, que provavelmente o fez superar com sucesso situações dignas de um filme de ação, Hessel admitiu também que o atual momento da humanidade "é grave".

Em sua opinião, o capitalismo criou "crise graves" e causou um crescimento da importância das finanças e da especulação frente ao que chamou de um "civismo inteligente".

Hessel resumiu sua mensagem da seguinte maneira: "a geração jovem pode se basear em sua chamada a favor dos direitos e das liberdades para obter a mudança para uma sociedade mundial que já não seja governada por uma oligarquia poderosa, mas organizada de modo que se dê a todos o mínimo que cada um necessita".

A morte de Hessel foi sentida em todo mundo por personalidades e instituições. A França, por exemplo, lamentou o falecimento do perfeito exemplo de um cidadão europeu, nascido em Berlim em 1917, naturalizado francês, poliglota e entusiasta de um projeto continental hoje ameaçado pelos interesses nacionais.

Hessel passará para a história como um dos poucos afortunados que conseguiram escapar do horror nazista, mas também pelo filme "Jules e Jim", de François Truffaut, que se inspirou nos pais do pensador para fazer a obra.

Quando estava a ponto de completar 95 anos, Hessel refletiu com um sorriso disse com toda a tranquilidade "a morte é talvez um dos momentos mais interessantes da vida".

"O nascimento é muito interessante, o amor é maravilhoso, a admiração é necessária, a poesia não se pode esquecer. Mas a morte é algo para a qual é preciso se preparar, é o que dizem todos os filósofos, é preciso aprender a morrer bem".

"Espero ter obtido êxito com essa aprendizagem e como agora estou muito perto da data na qual vou desaparecer, tenho 95 anos e não me resta muito, estou feliz de abordar esta última fase da vida, esta última experiência, como uma guloseima", ponderou.

EFE   

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