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Grécia voltará às urnas em junho após fracasso para formar governo

ATENAS, 15 Mai 2012 (AFP) -Os gregos irão novamente às urnas antes do final de junho após o fracasso de seus dirigentes para formar um governo de coalizão depois das eleições legislativas de 6 de maio, que desautorizaram as políticas de austeridade realizadas pelo país há dois anos.

"Desgraçadamente, vamos ter eleições de novo, em alguns dias, sob muitas más condições", disse o líder do socialista Pasok, Evangelos Venizelos, no fim de uma reunião dos principais responsáveis políticos com o presidente da Grécia, Carolos Papulias.

O chefe da pequena formação de esquerda moderada Dimar, Fotis Kuvelis, que rejeitou participar de uma aliança conservadora socialista, também confirmou a volta às urnas.

"Os esforços de formação de um governo foram concluídos sem sucesso", confirmou um comunicado da Presidência, lido diretamente por um jornalista da televisão pública Net.

As eleições legislativas serão realizadas, a princípio, antes do fim de junho.

O euro caía fortemente depois do anúncio do fracasso das negociações, abaixo do patamar dos 1,28 dólares pela primeira vez em quatro meses.

Paralisado politicamente desde as eleições legislativas de 6 de maio, na qual nenhum partido obteve maioria, o país tentou formar um governo que leve em conta a rejeição maijoritária dos gregos à política de austeridade aplicada por exigência dos credores do país e evitar sua saída do euro.

A grande divisão do Parlamento, em que nenhum grupo conta com maioria, impediu a tarefa.

Em uma última tentativa, o presidente, Carolos Papulias, de 82 anos, recebeu nesta terça-feira na residência presidencial os principais líderes políticos: o conservador da Nova Democracia, Antonis Samaras, o socialista Evangelos Venizelos do Pasok, Alexis Tsipras da esquerda radical Syriza, Fotis Kuvelis da esquerda democrática e Panos Kammenos da formação nacional-populista Gregos Independentes.

Papulias propôs formar um governo de "personalidades não políticas" que teriam o apoio de pelo menos 151 deputados dos 300 do Parlamento, diante do "perigo" que o país corre, cuja instabilidade preocupa a zona do euro.

O país é dirigido desde novembro pelo ex-banqueiro Lucas Papademos que disse à imprensa nos últimos dias que não está interessado em prosseguir com sua missão.

Para convencer os dirigentes políticos, o presidente os alertou do "perigo real" que o país corre.

Ele lembrou a advertência do primeiro-ministro, Lucas Papademos, do diretor do Banco de Grécia e do ministro de Finanças sobre o "estado das reservas financeiras do país e sobre o perigo de afundamento do sistema bancário com a retirada de dinheiro gerada pela insegurança que a situação política criou nos cidadãos".

Depois das declarações ameaçadoras destes últimos dias de alguns responsáveis europeus sobre a necessidade de o país de prosseguir com seu programa de austeridade apesar da recessão, a zona do euro reiterou, na segunda-feira à noite, seu apoio à permanência da Grécia na União Monetária.

"A possibilidade de que a Grécia saia da zona do euro não foi objeto de debate, ninguém se manifestou a favor" durante a noite, declarou o presidente do Eurogrupo Jean-Claude Juncker, criticando abertamente a "propaganda" dos que evocam a possibilidade de que Atenas seja expulsa.

Enquanto isso, nos bastidores, se afirma que o plano não vai ser renegociado, Juncker evocou a possibilidade de que seja estendido o prazo de sua aplicação, em uma primeira concessão às reivindicações dos responsáveis gregos de que a cura da austeridade seja suavizada.

Charles Dallara, o presidente do Instituto Internacional de Finanças (IIF), organização com sede em Washington, que reúne os principais bancos do mundo e que negociou recentemente o plano para a condenação de parte da dívida soberana grega, deu um apoio imprevisto à Grécia, segundo os meios de comunicação gregos.

"Estou no grupo dos que pensam que uma saída da Grécia da zona do euro não está decidida", afirmou ao canal britânico Channel 4, retomada pelo jornal Kathimerini.

Por outro lado, a Grécia continua se afundando na recessão, como demonstra a queda do PIB em 6,2% no primeiro trimestre de 2012, depois de quatros anos consecutivos de recessão.

Nesta terça-feira, o país também teve que pagar mais caro para financiar a curto prazo, com taxas de 4,34% para captar 1,3 bilhões de euros em bônus do tesouro a três meses, em vez dos 4,20% do dia 17 de abril.

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