Notícias » Mundo » Mundo

 Posição diante da crise em Honduras é "inamovível", diz Lula
26 de novembro de 2009 14h20 atualizado às 14h33

Comentários
 

O governo brasileiro reiterou nesta quinta que sua postura diante da crise política em Honduras é "inamovível", apesar das eleições que serão realizadas domingo, que elegerá um novo presidente para substituir Manuel Zelaya, deposto por um golpe de Estado há quase cinco meses.

"Os países democráticos do mundo precisam repudiar de forma veemente o que ocorreu em Honduras, portanto, a posição do Brasil se mantém inalterada. Nós não aceitamos histórias de golpes", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista à agência EFE.

Questionado sobre se seu país estaria disposto a reconhecer sob alguma circunstância o resultado das eleições de 29 de novembro, Lula lembrou que o Brasil e o resto da América Latina foram enfáticos em que para "restabelecer a normalidade" nas relações com Honduras e a "confiança diplomática", é necessário que Zelaya seja restituído no cargo.

"Da forma como está acontecendo (o processo), o Brasil não reconhecerá o resultado eleitoral, e manterá sua posição de não (retomar) relações com Honduras", ressaltou Lula.

O líder acrescentou que defende com firmeza o retorno de Zelaya ao poder, do qual foi deposto no dia 28 de junho, não porque "seja mais radical, mais bonito ou mais feio que os outros", mas porque o Brasil viveu 21 anos sob uma ditadura (1964-1985) e sabe o que é um regime autoritário.

"A América Latina e América Central têm experiências de sobra de golpistas que usurpam o poder rompendo os princípios democráticos, e se aceitarmos isso, pode acontecer o mesmo em outro país amanhã", disse Lula.

Diante da possibilidade de que os Estados Unidos e outros países reconheçam o resultado das eleições hondurenhas, Lula advertiu: "Se encararmos com normalidade o golpe de Honduras, amanhã qualquer golpista diz 'vou dar um golpe' e todo o mundo vai acreditar (que é normal)".

Zelaya, que foi expulso de Honduras pelos militares, voltou clandestinamente ao país no dia 21 de setembro e desde então está abrigado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

EFE
EFE - Agência EFE - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Agência EFE S/A.
 
 
Mais vistos