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Um ano depois de ter sido virtualmente arrasada pela fúria do furacão Charley, a localidade cubana de El Cajío volta a sentir a ameaça da natureza trazida pelo Wilma, o terrível furacão que espreita o oeste de Cuba. Wilma, de categoria quatro na escala Saffir-Simpson (máxima de cinco), avança pelos mares ao sul de Cuba e se aproxima de Cozumel, na península mexicana de Yucatán, a uma velocidade média de 9 Km/h e ventos de 240 Km/h. Os meteorologistas cubanos seguem com atenção sua errática trajetória e as autoridades finalizam os planos de evacuação de meio milhão de pessoas nas províncias do oeste da ilha. El Cajío, transformado em um povoado fantasma, espera Wilma com a presença única de uma brigada do Conselho de Defesa responsável pela evacuação. Pela terceira vez este ano, os 500 habitantes da localidade foram evacuados para casas de amigos, familiares e escolas transformadas em abrigos, esperando que o perigo passe. No ano passado, Charley levou as águas do Caribe vários metros adentro da comunidade e causou ondas de até quatro metros de altura, arrasando o pitoresco povoado costeiro, situado cerca de 50 quilômetros ao sul de Havana. El Cajío, Surgidero de Batabanó, Guanímar e El Rosario são algumas das localidades costeiras do sul da província de Havana, a região mais castigada pelas inundações provocadas pela passagem de furacões, como ocorreu este ano com os devastadores Katrina e Rita. A proximidade de Wilma paralisou momentaneamente a construção das novas casas para os que perderam tudo com Charley e obrigou a suspensão da pesca, o principal sustento dos habitantes da comunidade. "Esta é uma região muito baixa e propensa a inundações, por isso evacuamos a população", disse a EFE o presidente do Conselho de Defesa, Jesús Díaz González. Muitos dos moradores se instalaram em um abrigo montado em uma escola próxima à espera da passagem do furacão, como Arelys Rosales e seu marido, Yordanis Fonte, que levaram seus bebês gêmeos de dois meses e improvisaram uma moradia temporária em uma sala-de-aula do colégio. "Estou rezando para que não ocorra nada com minha futura casa", disse Arelys, que perdeu sua casa durante a passagem do Charley. "O furacão do ano passado só deixou o piso da casa, tudo o mais eram escombros", lembra. Apesar de seu longa experiência em desastres, Arelys se mantém em sua terra e garante não querer ir embora, mas pede que "se apresse um pouco o término da casa" como parte da recuperação prometida pelo Governo local. Arelys e Yordanis dizem que confiam na solidez das novas casas que os próprios moradores estão construindo com a ajuda de brigadas do governo, a poucos metros do mar. Milagros Serrano, de 59 anos, que nasceu e se criou em El Cajío também não quer ir embora. "Esse lugar é meu, é um pedaço de minhas raízes, onde vivi os bons e os maus momentos da minha vida com minha família", disse Milagros. O furacão Charley passo pela região em 13 de agosto de 2004, deixando quatro mortos e perdas materiais calculadas oficialmente em US$ 1 bilhão. Em 13 de setembro do mesmo ano, a passagem do Ivan pelo extremo oeste da ilha voltou a castigar a região e a provocar grandes inundações. A imagem de El Cajío era então desoladora, com casas destruídas, postes derrubados e centenas de moradores tentando recuperar o que restou de suas casas entre os escombros.
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