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Furacão nos EUA
Sexta, 21 de outubro de 2005, 15h55 
Moradores de povoado cubano revivem pesadelo à espera do Wilma
 
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Um ano depois de ter sido virtualmente arrasada pela fúria do furacão Charley, a localidade cubana de El Cajío volta a sentir a ameaça da natureza trazida pelo Wilma, o terrível furacão que espreita o oeste de Cuba.

Wilma, de categoria quatro na escala Saffir-Simpson (máxima de cinco), avança pelos mares ao sul de Cuba e se aproxima de Cozumel, na península mexicana de Yucatán, a uma velocidade média de 9 Km/h e ventos de 240 Km/h.

Os meteorologistas cubanos seguem com atenção sua errática trajetória e as autoridades finalizam os planos de evacuação de meio milhão de pessoas nas províncias do oeste da ilha.

El Cajío, transformado em um povoado fantasma, espera Wilma com a presença única de uma brigada do Conselho de Defesa responsável pela evacuação.

Pela terceira vez este ano, os 500 habitantes da localidade foram evacuados para casas de amigos, familiares e escolas transformadas em abrigos, esperando que o perigo passe.

No ano passado, Charley levou as águas do Caribe vários metros adentro da comunidade e causou ondas de até quatro metros de altura, arrasando o pitoresco povoado costeiro, situado cerca de 50 quilômetros ao sul de Havana.

El Cajío, Surgidero de Batabanó, Guanímar e El Rosario são algumas das localidades costeiras do sul da província de Havana, a região mais castigada pelas inundações provocadas pela passagem de furacões, como ocorreu este ano com os devastadores Katrina e Rita.

A proximidade de Wilma paralisou momentaneamente a construção das novas casas para os que perderam tudo com Charley e obrigou a suspensão da pesca, o principal sustento dos habitantes da comunidade.

"Esta é uma região muito baixa e propensa a inundações, por isso evacuamos a população", disse a EFE o presidente do Conselho de Defesa, Jesús Díaz González.

Muitos dos moradores se instalaram em um abrigo montado em uma escola próxima à espera da passagem do furacão, como Arelys Rosales e seu marido, Yordanis Fonte, que levaram seus bebês gêmeos de dois meses e improvisaram uma moradia temporária em uma sala-de-aula do colégio.

"Estou rezando para que não ocorra nada com minha futura casa", disse Arelys, que perdeu sua casa durante a passagem do Charley.

"O furacão do ano passado só deixou o piso da casa, tudo o mais eram escombros", lembra.

Apesar de seu longa experiência em desastres, Arelys se mantém em sua terra e garante não querer ir embora, mas pede que "se apresse um pouco o término da casa" como parte da recuperação prometida pelo Governo local.

Arelys e Yordanis dizem que confiam na solidez das novas casas que os próprios moradores estão construindo com a ajuda de brigadas do governo, a poucos metros do mar.

Milagros Serrano, de 59 anos, que nasceu e se criou em El Cajío também não quer ir embora. "Esse lugar é meu, é um pedaço de minhas raízes, onde vivi os bons e os maus momentos da minha vida com minha família", disse Milagros.

O furacão Charley passo pela região em 13 de agosto de 2004, deixando quatro mortos e perdas materiais calculadas oficialmente em US$ 1 bilhão.

Em 13 de setembro do mesmo ano, a passagem do Ivan pelo extremo oeste da ilha voltou a castigar a região e a provocar grandes inundações.

A imagem de El Cajío era então desoladora, com casas destruídas, postes derrubados e centenas de moradores tentando recuperar o que restou de suas casas entre os escombros.
 

EFE

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