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Furacão nos EUA
Quinta, 22 de setembro de 2005, 13h48 
Katrina soltou 4,5 mil condenados por crime sexual
 
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Até 4,5 mil condenados por crimes sexuais estão entre as dezenas de milhares de pessoas que fugiram do furacão Katrina, segundo as autoridades, o que agrava o já precário registro norte-americano de condenados por crimes sexuais.

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    A polícia da Louisiana disse que entre 3,3 mil e 4,5 mil condenados por estupros e outros crimes sexuais viviam nas áreas atingidas pelo Katrina. Desse total, cerca de 270 estavam sob liberdade condicional, costumavam se apresentar a órgãos judiciais em cinco distritos interditados pela tempestade e são considerados de alta periculosidade.

    Do Texas a Massachusetts, as autoridades tentam identificar criminosos sexuais entre os refugiados, com graus variáveis de sucesso. O furacão Rita, que agora se aproxima do Texas e do oeste da Louisiana, pode dificultar a tarefa, por retardar ainda mais a volta da população a Nova Orleans. "Todos esses criminosos da região podem estar em qualquer lugar", disse Laura Aherarn, diretora da entidade nova-iorquina Pais pela Lei Megan, que defende os direitos das crianças. "Não há um mecanismo em vigor para que eles se registrem onde estiverem."

    Para localizá-los, as autoridades da Louisiana estão visitando abrigos e telefonando para parentes dos condenados. Mas muitos deles que fugiram da tempestade não estão se apresentado à polícia ou podem ter deixado a Louisiana. "Aqueles 270 são os que estamos tentando realmente localizar a esta altura", disse o agente judiciário Pam Laborde.

    Nos últimos dez anos, os Estados Unidos vêm fortalecendo as leis para manter o controle sobre pessoas condenadas por crimes sexuais. Apenas dois Estados não publicam os nomes e endereços dos condenados pela Internet. Na maioria dos Estados, o estuprador que não se registrar incorre em um crime. Mesmo assim, muitos não se registram, usam endereços falsos ou se mudam sem avisar ninguém, segundo Scott Berkowitz, presidente da Rede Nacional de Estupro, Abuso e Incesto, a maior entidade norte-americana contra crimes sexuais.

    "Há um monte de condenados por crimes sexuais desaparecidos. O Katrina pode ter exacerbado enormemente esse problema." Segundo uma pesquisa feita em 2003 pelo grupo de Ahearn, a polícia não tem notícias de cerca de 24 por cento dos condenados que deveriam se cadastrar, o que significa cerca de 77,7 mil indivíduos. "Isso pode ser significativamente maior após o Katrina", disse ela.

    Estados onde há muitos refugiados, como o Texas, ainda estão tentando identificar os criminosos sexuais e o risco que representam. As autoridades dizem que isso pode demorar. "Louisiana, Alabama e Mississippi estão tentando localizar os condenados", disse Tela Mange, porta-voz do Departamento de Segurança Pública do Texas. "Alguns estão se registrando por si só, mas realmente não temos uma estimativa de números ainda."

    A tarefa é mais complicada no Texas, onde há cerca de 250 mil refugiados do Katrina. "Várias agências estão trabalhando nisso em estreito contato", disse Mike Viesca, porta-voz do Departamento de Justiça Criminal do Texas. Em Massachusetts, alguns moradores e refugiados se mostraram preocupados com a notícia de que havia criminosos sexuais condenados entre as 209 pessoas levadas para um quartel na região de Cape Cod após o Katrina. Um deles foi preso e indiciado por estupro, pois havia um mandado de prisão contra ele. Os outros seis foram isolados em um dormitório masculino, mas podem entrar e sair à vontade do quartel.

    Mas as autoridades citam um desafio igualmente importante: a proteção dos direitos de quem já pagou por seus crimes e está reconstruindo uma vida normal, apesar do medo de ser estigmatizado. "Há geralmente mais condenados vivendo nas comunidades do que a maioria das pessoas perceba", disse Katie Ford, porta-voz do Departamento de Segurança Pública de Massachusetts.
     

  • Reuters

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