Tudo sobre a passagem do fenômeno
Os moradores que permanecem em Nova Orleans representam apenas uma fração dos cerca de 1 milhão de pessoas tiradas de suas casas pela tempestade de 29 de agosto nos Estados da Louisiana, do Mississippi e do Alabama.
As autoridades disseram que talvez 10 mil pessoas continuem dentro da cidade submersa em uma sopa tóxica de lixo, dejetos humanos e cadáveres flutuantes. Os sobreviventes enfrentam um calor escaldante há mais de uma semana sem água e sem energia elétrica.
Nova Orleans, uma cidade de 450 mil habitantes localizada abaixo do nível do mar, acabou sendo alagada depois de os diques de contenção terem se rompido devido à violência do furacão.
Eddie Compass, chefe de polícia da cidade, afirmou haver moradores que desejavam sair e que apenas aguardavam por ajuda. Mas alguns haviam decidido ficar em Nova Orleans, desobedecendo as ordens do prefeito Ray Nagin de que a área fosse esvaziada. "Os que não desejam ser encontrados se escondem", afirmou Gregg Brown, um morador do Estado da Carolina do Sul que está ajudando nas buscas.
Robert Johnson, 58 anos, disse não ter dinheiro e que desejava ficar para proteger sua casa. "Se é para ficar na miséria, então é melhor ficar na miséria aqui", afirmou.
E os problemas acumulam-se. Bombas de água foram colocadas em operação para livrar a cidade do líquido oleoso e cheio de bactérias e substâncias tóxicas, mas a maior parte delas não funcionava. Até 60% de Nova Orleans continua alagada.
As equipes responsáveis por encontrar os milhares de pessoas que teriam morrido na tempestade e logo depois dela passaram a amarrar os cadáveres em árvores ou em cercas para buscá-los mais tarde. Um necrotério instalado perto da cidade estava preparado para receber mais de 5 mil corpos.
Visitas oficiais
O vice-presidente americano, Dick Cheney, deve visitar hoje o Estado do Mississippi e Nova Orleans, que fica na Louisiana. Além de Cheney, também devem passar pela região na quinta e na sexta-feira John Snow, secretário do Tesouro, Carlos Gutierrez, secretário do Comércio, Elaine Chao, secretária do Trabalho, e Jo Anne Barnhart, comissária da Seguridade Social.
A Agência Federal de Resposta a Emergências (Fema), criticada devido a sua atuação no caso, estava entregando cartões de débito de US$ 2 mil, num total de US$ 100 milhões, para milhares de sobreviventes.