Notícias por e-mail

Fale conosco
Furacão nos EUA
Quinta, 8 de setembro de 2005, 09h43 
Imigrantes ilegais sofrem sem ajuda após Katrina
 
 Últimas de Furacão nos EUA
» Cresce registro de doença mental entre sobreviventes do Katrina
» Um ano depois, Katrina ainda marca imagem de Bush
» Katrina: um ano após, EUA ainda têm marcas da tragédia
» Bush faz mea-culpa um ano depois da passagem do Katrina
De todas as vítimas do Katrina, as que mais sofrem são os imigrantes ilegais, já que não têm direito a ajudas estaduais, seguro, abrigo nem sequer à possibilidade de voltar a Nova Orleans para recuperar seus bens. O que mais preocupa Lidia Buitrago, uma nicaragüense que trabalhava para a comunidade hispânica com a arquidiocese de Nova Orleans, não é ter perdido a maior parte de seus bens por causa do furacão. "O sofrimento da minha comunidade é o que me dói mais.Sempre são os mesmos os que são mais prejudicados", queixa-se.

Em sua comunidade, explica, a maioria é formada por imigrantes sem documentos legais de residência, os mais vulneráveis diante de uma catástrofe como esta porque, legalmente, nem sequer existem. Buitrago estava em uma espécie de dique improvisado de onde um grupo de voluntários leva os moradores a bairros inundados de Nova Orleans, de bote, em busca de animais de estimação e bens que ficaram para trás.

Buitrago já foi até sua casa para resgatar o que pôde - fotografias, entre outras coisas -, mas a maioria dos imigrantes que conhece e morava no mesmo bairro não pôde fazer o mesmo.

Somente as pessoas capazes de comprovar com documentos que são residentes legais nas áreas próximas do condado de Jefferson puderam entrar nesta semana para ver o estado de suas propriedades.

Alguns mexicanos com que Buitrago trabalha pediram ajuda para entrar em seus bairros, mas depois recuaram diante da possibilidade de que as autoridades descobrissem que estão no país ilegalmente.

Enquanto isso, na cidade costeira de Gulfport, no Mississippi, Raúl, um salvadorenho ilegal que trabalhava na indústria avícola procura desesperadamente um lugar com água e serviços básicos para onde possa levar sua mulher e seus dois filhos, de 3 e 5 anos. Mas não gosta da idéia de que possa ser parado pela Polícia, e por isso descarta ir a um abrigo, onde é preciso se registrar.

Os imigrantes que trabalhavam nos cassinos e hotéis no Golfo do México também poderiam perder seu status legal, já que seu visto de permanência está sujeito a seus empregos no setor turístico, que provavelmente demorará meses e até anos para se recuperar.

Os cassinos flutuantes de Biloxi (é ilegal construir um cassino no solo do Mississippi) foram arrastados para o interior pela força das águas e do vento, e dois deles foram partidos ao meio.

Os familiares dos desaparecidos estão em similar situação de vulnerabilidade. O Governo mexicano abriu dois consulados de emergência em Mobile (no estado do Alabama) e em Baton Rouge (a capital da Louisiana) para facilitar os trâmites e ajudar na localização de milhares de mexicanos desaparecidos.

Alguns cálculos afirmam que cerca de 145 mil mexicanos viviam nas áreas afetadas no Mississippi e na Louisiana. Alguns deles, principalmente os recém-chegados, não possuem dinheiro nem parentes a quem recorrer.

Em muitos casos, eles também não falam inglês. Isto significa que não entendem a informação passada pelo rádio, em inglês, que explica onde conseguir água, gelo, comida ou geradores elétricos.

Boletins especiais são a única forma de chegar até os artigos de primeira necessidade em meio ao caos que desabilitou outras vias de comunicação.
 

EFE

Agência EFE - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Agência EFE S/A.