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Terça, 29 de agosto de 2006, 13h44  Atualizada às 14h16
Cresce registro de doença mental entre sobreviventes do Katrina
 
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O número de doenças mentais graves dobrou nas áreas atingidas pelo furacão Katrina nos Estados Unidos no ano passado, mas os impulsos suicidas diminuíram, em parte porque os sobreviventes criaram laços entre si, afirmou um estudo comandado pela Universidade Harvard.

Considerado o maior estudo sobre saúde mental depois do Katrina, que matou cerca de 1,5 mil pessoas ao longo da costa do Golfo, a pesquisa mostrou que 15% dos 1.043 sobreviventes observados foram diagnosticados com uma doença mental grave entre cinco e oito meses após a passagem da tempestade.

Essa proporção sugere que cerca de 200 mil pessoas no Alabama, na Louisiana e no Mississippi podem ter sido afetadas por problemas mentais por causa do Katrina. Cerca de um terço sofreria da síndrome do estresse pós-traumático e o restante de depressão, disse Ronald Kessler, pesquisador-chefe do estudo, divulgado na segunda-feira.

Quase 85% dos sobreviventes enfrentaram grandes perdas financeiras ou danos a suas casas, e mais de um terço deles foram vítimas de graves adversidades físicas depois da passagem do Katrina, que inundou 80% da cidade de Nova Orleans, mostrou a pesquisa. Quase 23% dos sobreviventes passaram por adversidades psicológicas extremas.

Cerca de 25% afirmaram ter pesadelos com a experiência - proporção que sobe para quase 50% entre os moradores de Nova Orleans.

Laços
Mas Kessler, professor de saúde pública da Faculdade de Medicina de Harvard, disse que o número de pessoas que afirmam ter impulsos suicidas diminuiu, em parte porque muitos sobreviventes criaram laços mais fortes com os entes queridos e com a comunidade.

"Observamos uma proporção extraordinariamente alta, em nossa amostra, de pessoas que disseram que, apesar da compreensível tristeza por tudo que perderam e da compreensível ansiedade em relação ao futuro, sentem-se mais próximas dos familiares, sentem-se mais ligados à comunidade", disse ele.

"Eles se sentiram muito mais religiosos, sentiram que têm um objetivo na vida", disse ele, ressaltando que 88,5% dos sobreviventes pesquisados afirmaram que o Katrina os ajudou a desenvolver um noção mais profunda de significado para a vida. "Foi nessas pessoas que as tendências suicidas diminuíram", disse ele.

O estudo, liderado pela Faculdade de Medicina de Harvard e financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde Mental dos EUA, foi publicado na revista Bulletin, da Organização Mundial da Saúde.

Os pesquisadores compararam o trabalho com um instantâneo da saúde mental captado na mesma área pelo governo federal em 2001-03. Os cientistas pretendem entrevistar os mesmos 1.043 sobreviventes ao longo de sete anos para acompanhar sua recuperação.

A pesquisa também mostrou que quase 90% dos sobreviventes sabiam do furacão mais de um dia antes de ele chegar, sendo que a maioria sabia com pelo menos três dias de antecedência.

Dos que não fugiram de suas casas, até 42% não o fizeram porque não quiseram, enquanto até 46% disseram ter ficado impossibilitados de partir. Entre os sobreviventes de baixa renda, cerca de 40% disseram não ter podido deixar a região, contra 6% entre os mais ricos.
 

Reuters

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