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Exército sírio lança grande ofensiva para retomar controle de Alepo

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As forças governamentais sírias lançaram nesta quarta-feira uma grande ofensiva para recuperar o controle da cidade de Alepo, em uma batalha concentrada no bairro de Salah ad-Din, onde os rebeldes reconheceram um recuo.

"(As tropas) conseguiram um avanço de 50 metros em Salah ad-Din com a ajuda de um comboio de tanques T-80 de fabricação russa. Esses tanques foram trazidos há três dias dos armazéns do porto de Latakia, embora não saibamos quando chegaram da Rússia", disse à Agência Efe por telefone o número dois do Exército Livre Sírio (ELS), Malek Kurdi.

De acordo com o braço direito dos rebeldes, as forças do regime de Bashar al Assad conseguiram avançar graças aos carros de combate, contra os quais o ELS utilizou plataformas de lançamento de granadas RPG e projéteis antiblindados, "mas esse armamento não serve para tanques".

Apesar disso, Kurdi assegurou que os insurgentes conseguiram conter a coluna de tanques com bombas caseiras, que danificaram alguns carros.

"O regime deseja recuperar o bairro porque está situado no centro da cidade, e dali se pode controlar as instituições administrativas de Alepo", explicou o líder insurgente, acrescentando que é muito difícil para as tropas conseguirem entrar em Salah ad-Din, por causa das ruas estreitas.

Uma ativista independente em Alepo, Wed Al-Hayat, afirmou à Agência Efe que os combates começaram na manhã desta quarta em Salah ad-Din e que o exército sírio rondou o bairro com tanques para tentar entrar.

Também foram palco de enfrentamentos os bairros de Al Sajur, Al Shear, Al Sekari e Bustan al Basha, onde o regime asadista conseguiu uma importante vitória.

Segundo a televisão estatal síria, as forças governamentais conseguiram "repelir um grupo terrorista e eliminar um grande número de terroristas mercenários" em Bustan al Basha.

Os bombardeios contra outras localidades da província de Aleppo aconteceram com especial intensidade nos povoados de Hanano e Al Bab, segundo a rede ativista Comitês de Coordenação Local (CCL), que denunciou que os militares apontaram contra a mesquita do bairro de Salah ad-Din.

Em toda a Síria, mais de 100 pessoas morreram nesta quarta-feira por causa da violência. O Observatório Sírio de Direitos Humanos informou que, de acordo com seus dados, morreram 90 civis e combatentes rebeldes, e 41 membros das forças do regime.

A maior parte das vítimas estavam na província de Alepo, 35 delas, e mais especificamente na cidade homônima (a maior do país), com 26 mortos.

Segundo os Comitês, que não costumam incluir em sua apuração às tropas governamentais caídas, o número de vítimas mortais chegou a 101, a maioria em Alepo e Hama (centro).

O aumento da violência acontece após a renúncia, há apenas dois dias, do primeiro-ministro sírio, Riad Hiyab, que na madrugada da quarta-feira entrou na Jordânia, segundo o ministro de Estado para Assuntos de Comunicação jordaniano, Samih Maaytah.

Hiyab chegou à Jordânia acompanhado por alguns de seus familiares, acrescentou Maaytah, que há poucos dias tinha negado a presença do alto cargo sírio em território jordaniano.

Em declarações à Efe, um ativista dos CCL, Ahmad Masri, explicou que a operação para transportar Hiyab culminou na noite de terça-feira, quando o ex-primeiro-ministro pôde escapar através de uma cerca na fronteira entre a Síria e a Jordânia.

O golpe da renúncia contra o regime não impediu que seu maior aliado, o Irã, advertisse na terça-feira que não permitirá a queda de Assad, que, por sua vez, pediu o Exército sírio para "limpar os terroristas do território sírio". EFE

er-aj/al/tr

(foto)

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EFE   
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