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Vladimir Putin adverte Ocidente contra ação unilateral na Síria

Presidente russo não exclui um apoio a uma resolução da ONU se for provado o uso de armas químicas pelo governo sírio contra a população

4 set 2013 02h09
| atualizado às 06h20
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Presidente russo quer evidências concretas para apoiar resolução da ONU em ataque contra a Síria
Presidente russo quer evidências concretas para apoiar resolução da ONU em ataque contra a Síria
Foto: AP

O presidente russo Vladimir Putin advertiu o Ocidente contra a tomada de uma ação unilateral na Síria, reforçando a necessidade de um aval do Conselho de Segurança da ONU, mas afirmou que “não exclui” um apoio da Rússia a uma resolução do órgão internacional em uma ação militar punitiva se for provado que o regime do presidente Bashar al-Assad usou armas químicas contra a própria população. O mandatário russo também criticou os Estados Unidos na condução do caso Snowden e negou que o país tenha uma política antigay.

Putin fez esses comentários durante entrevista para a agência Associated Press e ao canal de TV russo Channel 1 em sua residência nos arredores de Moscou – a única que concedeu antes da cúpula do G20 que se inicia nesta quinta-feira em São Petersburgo.

O encontro, que supostamente deveria se concentrar na economia global, deve ser dominado pela crise síria e o suposto uso de armas químicas pelo regime de Damasco contra a própria população.

Putin afirmou que forneceu alguns componentes do sistema de defesa contra mísseis S-300 para a Síria, mas cancelou novas entregas. O mandatário sugeriu, no entanto, que pode vender o sistema para outras nações se os países ocidentais atacarem a Síria sem o apoio do Conselho de Segurança da ONU - o governante fez questão de enfatizar essa autorização pelo seleto grupo composto por Estados Unidos, Reino Unido, França, China e a própria Rússia.

O presidente russo lamentou o cancelamento do encontro que teria com Barack Obama antes do início da cúpula do G20, mas expressou esperança de que os dois tenham sérias discussões sobre a Síria, entre outras, durante o encontro em São Petersburgo. “O presidente Obama não foi eleito pelo povo americano para ser simpático com a Rússia. E seu humilde servo (se referindo a si mesmo) não foi eleito pela população russa para ser simpático com alguém também”, comentou Putin sobre a relação com o colega americano.

O líder da Rússia disse que seria um “absurdo” que o governo do presidente Assad - um aliado de Moscou -, usasse armas químicas em um momento em que estava detendo as forças rebeldes.

“Do nosso ponto de vista, parece absolutamente um absurdo que as Forças Armadas, que estão na ofensiva hoje e em algumas áreas encurralaram os chamados rebeldes e estão os derrotando, nessas condições elas começariam a usar armas químicas proibidas, percebendo que isso poderia servir de pretexto para a aplicação de sanções, incluindo o uso de força”, analisou.

Putin compara situação com invasão do Iraque e pede evidências para apoiar ataque
A administração Obama diz que 1.429 pessoas morreram no ataque de 21 de agosto nos arredores de Damasco. O governo sírio culpa os rebeldes que tentam derrubá-lo pelo incidente. Inspetores da ONU estão esperando por resultados laboratoriais após coleta de amostras na região.

“Se há dados de que armas químicas tenham sido usadas, e usadas especificamente pelo Exército, esta evidência deveria ser submetida ao Conselho de Segurança. E deveria ser convincente. Não poderia ser baseada em rumores e informações obtidas por serviços especiais por meio de algum tipo de espionagem de conversas e coisas do tipo”, explicou Putin.

Ex-oficial da KGB, serviço-secreto da antiga União Soviética, o presidente russo comparou a evidência apresentada por Washington com aquela usada pela administração Bush para justificar a invasão do Iraque, em 2003. “Esses argumentos (armas de destruição em massa) se tornaram insustentáveis. (...) Nós nos esquecemos sobre isso?”, questionou.

Putin afirmou que não exclui o apoio ao uso da força contra a Síria na ONU se houver evidência objetiva provando que o regime de Assad usou armas químicas contra a população, mas alertou os Estados Unidos contra uma ação militar sem a aprovação da ONU, o que representaria uma agressão.

Apesar de ser bem enfático quanto à necessidade de aprovação pelo Conselho de Segurança da ONU, o mandatário russo disse que é “muito cedo” para uma possível resposta do país em caso de ataque americano sem o apoio do Conselho de Segurança, no qual a Rússia tem poder de veto, mas afirmou que “temos nossos planos” sobre o que e como fazer.

Caso Snowden
Vladimir Putin criticou ao esforços das agências de inteligência americanas para deter Edward Snowden, o informante que trabalhava para a Agência Nacional de Segurança e que vazou detalhes sobre espionagem americana em todo o mundo. Segundo o presidente russo, os Estados Unidos deveriam ter permitido que o ex-analista fosse para um país onde sua segurança não fosse garantida, ou então o interceptado durante o caminho, ao invés de pressionar outros países a não aceitar a presença de Snowden – a Rússia lhe garantiu asilo temporário.

Putin também confirmou oficialmente, pela primeira vez, que o informante manteve contato com autoridades de Moscou em Hong Kong, antes de viajar para o país, em 23 de junho, mas declarou que só ficou sabendo da presença de Snowden no avião duas horas antes de sua chegada. Ele negou, no entanto, que os serviços de segurança russos estejam trabalhando com o ex-analista, cujo paradeiro é mantido sob grande sigilo.

Polêmica antigay
Putin negou que a Rússia tenha políticas antigay, indicando que o presidente Barack Obama era bem-vindo para se encontrar com ativistas gays e lésbicas durante sua visita ao país. Putin inclusive afirmou que ele mesmo poderia se reunir com um grupo similar se houver interesse da comunidade gay no país.

O presidente rejeitou o criticismo sobre a lei que proíbe propaganda gay, o que levou ativistas a pedirem pelo boicote aos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, que serão realizados em fevereiro. Putin afirmou que atletas e ativistas não seriam punidos se portassem a bandeira do arco-íris (símbolo gay) ou pintassem suas unhas durante a competição olímpica.

Fonte: Terra
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