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Veja cronologia dos 3 dias que deixaram Paris em colapso

Reuters

Relembre os fatos ocorridos no país desde o atentado que matou 12 pessoas e deixou 11 feridos na redação da revista satírica Charlie Hebdo

9 jan 2015
15h36
atualizado em 10/1/2015 às 07h19
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Após uma longa e agonizante espera, seguida de uma onda de explosões e tiroteios, duas tomadas de reféns que transformaram o coração da França em uma zona de combate acabaram, nesta sexta-feira, com desfecho dramáticos. Relembre os fatos ocorridos no país desde o atentado que matou 12 pessoas e deixou 11 feridos na redação da revista satírica Charlie Hebdo, em Paris, no pior ato terrorista registrado na França em meio-século.

<p>Homens armados atacam sede de revista francesa; tiroteio deixa 12 mortos</p>
Homens armados atacam sede de revista francesa; tiroteio deixa 12 mortos
Foto: The Telegraph / Reprodução
Atentado à Charlie Hebdo
Na última quarta-feira (7), por volta de 11h30 (8h30, no horário de Brasília), dois homens vestidos de preto, encapuzados e armados com fuzis automáticos abriram o fogo na redação da Charlie Hebdo, em plena reunião de pauta, aos gritos de "Allah akbar" (Alá é grande).

Os terroristas mataram 11 pessoas na sede da revista e um policial na saída, antes de fugir de carro rumo à zona nordeste de Paris, onde trocam de veículo ao render um motorista.

Mais tarde, o presidente François Hollande chegou ao local do atentado, lançou um apelo à "Unidade nacional" e decretou um dia de luto para o dia seguinte.

A polícia começou então uma perseguição atrás dos irmãos Cherif e Said Kouachi, de 32 e 34 anos, nascidos em Paris, de pais argelinos, suspeitos de terem cometido o atentado. O primeiro já foi condenado em 2008, por ter atuado num grupo que enviava jihadistas no Iraque.

Cherif (izquierda) y Said Kuachi, los dos sospechosos del ataque al semanal satírico Charlie Hebdo, en foto distribuida por la policía de la prefectura de París, este 8 de enero del 2015.
Cherif (izquierda) y Said Kuachi, los dos sospechosos del ataque al semanal satírico Charlie Hebdo, en foto distribuida por la policía de la prefectura de París, este 8 de enero del 2015.
Foto: AP

Foto: AP

Reações comovidas tomaramm conta do mundo inteiro, com o lema "je suis Charlie" (em português, "sou Charlie") espalhado nas ruas e nas redes sociais. Durante a noite, mais de cem mil pessoas manifestaram na França e várias outras se reúniram em outras cidades do mundo, inclusive no Brasil, no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Quinta-feira de luto e novo ataque
Na manhã seguinte, uma guarda municipal foi morta a tiros e outro funcionário foi gravemente ferido em Montrouge, no sul de Paris. O autor do tiroteio conseguiu escapar.

Os irmãos Kouachi foram reconhecidos durante a manhã pelo gerente de um posto de gasolina que assaltaram, perto de Villers-Cotterêt, a 80 km ao nordeste da capital. Policiais vasculham a área, sem sucesso.

Nesta quinta-feira (8), a maioria das capas de jornais tiveram a cor dominante preta em sinal de luto, e anônimos colocaram flores, lápis, velas e mensagens perto da sede da revista Charlie Hebdo. Ao meio dia, o país todo respeitou um minuto de silêncio, enquanto os sinos dobraram na catedral Notre Dame de Paris. As luzes da Torre Eiffel, outro cartão postal da cidade, foram desligadas por alguns instantes às 20h locais.

La torre Eiffel de París, uno de los monumentos más emblemáticos del mundo, apagó esta noche sus luces
La torre Eiffel de París, uno de los monumentos más emblemáticos del mundo, apagó esta noche sus luces
Foto: AFP

Foto: Reprodução/Facebook

Cherif e Said Kouachi foram chamados 'heróis jihadistas' pela rádio da organização terrorista Estado Islâmico (EI). Ele figuram há anos na lista negra do terrorismo do FBI americano.

Sequestros, pânico e fim da caçada
Na sexta-feira, a caçada continuou e um forte tiroteio começou em um bloqueio policial, após os irmãos terem sido reconhecidos por um motorista que teve seu carro roubado.

<p>Hollande renovou seu apelo à "Unidade Nacional" e chamou "todos os cidadãos" a comparecer às ruas neste domingo</p>
Hollande renovou seu apelo à "Unidade Nacional" e chamou "todos os cidadãos" a comparecer às ruas neste domingo
Foto: AFP

Os fugitivos, que ainda possuem armamento pesado, estavam entrincheirados com um refém em uma pequena gráfica, situada em uma zona industrial da cidade de Dammartin-en-Goële, a vinte quilômetros do aeroporto internacional de Roissy, cujo plano de voo foi modificado.

A pequena cidade de 8 mil habitantes foi cercada pelas autoridades, enquanto helicópteros sobrevoavam a área. Várias escolas foram evacuadas, e, em outras, as crianças permaneceram confinadas.

O presidente Hollande renovou seu apelo à "Unidade Nacional" e chamou "todos os cidadãos" a comparecer às ruas para a manifestação marcada neste domingo em homenagem às vítimas.

O suspeito do tiroteio de Montrouge, que matou a policial, foi identificado, e várias fontes policiais afirmaram que uma "conexão" foi estabelecida entre este suspeito e os irmãos Kouachi.

Atentados em Paris: Tiros são ouvidos em mercado judeu

Todas as mesquitas da França foram convidadas a homenagear as vítimas do atentado.

Por volta das 13h locais (10h de Brasília), um tiroteio aconteceu na Porte de Vincennes, ao leste de Paris, e 10 pessoas foram feitas reféns em um mercado judaico.

O sequestrador foi identificado como o atirador de Montrouge, Amedy Coulibaly, de 32 anos, que conhece pelo menos um dos irmãos Kouachi e já foi condenado em um caso de tentativa de fuga de prisão de outro jihadista.

A polícia divulgou retratos de Coulibaly e de uma mulher, Hayat Boumeddiene, de 26 anos, também suspeita do ataque em Montrouge. Ela seria a namorada de Coulibaly e estaria envolvida também no sequestro no mercado judaico.

Amedy Coulibaly (izda) y Hayat Boumeddiene (dcha) sospechosos de la muerte de la agente francesa tras el ataque a Charlie Hebdo.
Amedy Coulibaly (izda) y Hayat Boumeddiene (dcha) sospechosos de la muerte de la agente francesa tras el ataque a Charlie Hebdo.
Foto: AFP

Foto: AFP

Depois de um cerco que se arrastou por horas, os sequestros chegaram ao fim com dois ataques praticamente simultâneos aos jihadistas entrincheirados na gráfica e no mercado. As ações foram iniciadas pouco depois das 17h locais (14h no horário de Brasília).

<p>Quatro reféns teriam morrido no mercado judacio</p>
Quatro reféns teriam morrido no mercado judacio
Foto: Twitter

Em Dammartin-en-Goële, os irmãos Kouachi foram mortos quando saíram atirando por estarem acuados, e o refém foi libertado são e salvo. Há informações de que os irmãos não sabiam que ele estava no mesmo local que eles e, portanto, ele não foi ferido pelos terroristas.

No mercado judaico da Porte de Vincennes, em Paris, a ação teria deixado cinco mortos. Três reféns morreram antes da investida policial, um durante e o sequestrador morreu ao trocar tiros com a polícia, durante a invasão. Outras quatro pessoas teriam ficado gravemente feridas, de acordo com fontes de segurança.

Imagens muito fortes da televisão francesa mostraram o ataque da polícia na porta do mercado, com forte tiroteio. Nas imagens, reféns aparecem saindo e sendo levados a salvo atrás de um veículo blindado. A suposta namorada do sequestrador do mercado está desaparecida.

Foto: Arte Terra

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