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Vaticano ordena investigação de documentos vazados

25 abr 2012 14h45
| atualizado às 14h48
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O papa Bento XVI criou uma comissão de cardeais para investigar os vazamentos de documentos importantes à mídia, os quais tratavam de corrupção e má gestão no Vaticano.

Os documentos incluem cartas privadas para o papa de um arcebispo que foi transferido para Washington depois que denunciou o que chamou de nepotismo na concessão de contratos, além de documentos alegando conflitos internos sobre o Banco do Vaticano.

O Vaticano disse que a comissão seria composta por três cardeais aposentados: o espanhol Julian Herranz, o eslovaco Jozef Tomko e o italiano Salvatore De Giorgi. Segundo um comunicado, eles "conduziriam uma investigação oficial e "lançariam luz" sobre como os vazamentos aconteceram.

O escândalo, que passou a ser conhecido como "Vatileaks", envolveu o vazamento de uma série de documentos para a imprensa italiana em janeiro e fevereiro.

Uma reportagem na TV em janeiro divulgou cartas particulares ao secretário de Estado, cardeal Tarcisio Bertone, ao Papa, escritas pelo arcebispo Carlo Maria Vigano, ex-vice-governador da Cidade do Vaticano e agora embaixador da Santa Sé em Washington.

Vigano foi vice-governador de 2009 a 2011, e também foi chefe de um departamento responsável por manter os jardins, edifícios, ruas, museus e outras infraestruturas da pequena cidade-estado, geridos separadamente de Roma, que a rodeia.

As cartas mostram que Vigano foi transferido para os Estados Unidos depois de ter exposto o que ele chamou de uma teia de corrupção relacionada com a concessão de contratos do Vaticano para empreiteiros italianos a preços inflacionados.

Vigano reclamou em uma carta de uma campanha difamatória contra ele por autoridades do Vaticano que não gostaram de ele ter adotado medidas drásticas para limpar os procedimentos de compra. Ele pediu para ficar no cargo até terminar o que tinha começado.

Bertone respondeu ao caso com a remoção de Vigano do cargo três anos antes do término de seu mandato e o enviou para Washington, apesar de sua forte resistência.

Banco do Vaticano
Outros vazamentos incluem um conflito interno sobre o quão transparente o Banco do Vaticano deveria ser. O Banco do Vaticano, formalmente conhecido como o Instituto para as Obras de Religião, vem tentando deixar para trás escândalos passados. O Vaticano quer entrar na "lista branca" de países que cumprem plenamente as normas europeias de transparência financeira.

A Santa Sé já anunciou uma investigação criminal por sua própria força policial sobre os vazamentos, além de um inquérito administrativo. Qualquer funcionário comum considerado responsável por vazar material sigiloso poderia perder o emprego, enquanto clérigos poderiam receber punição canônica.

Investigações criminais são muito raras no Vaticano. Uma das mais extraordinárias foi aberta após Cedric Tornay, um guarda suíço de 23 anos cuja promoção foi rejeitada, ter matado seu comandante e a esposa, antes de cometer suicídio em 1998. O investigador do Vaticano concluiu que Tornay agiu em "um acesso de loucura".

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