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Vaticano é pressionado a revelar dimensão dos casos de abuso sexual

16 jan 2014
15h53
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Especialistas em proteção infantil da ONU questionaram representantes do Vaticano, nesta quinta-feira, sobre a forma como as autoridades da Igreja Católica lidaram com décadas de abuso sexual de menores por padres, fato que o papa Francisco chamou de "vergonha da Igreja".

Homem exibe cartaz em protesto contra os casos de pedofilia no Vaticano em frente a sede da ONU em Genebra
Homem exibe cartaz em protesto contra os casos de pedofilia no Vaticano em frente a sede da ONU em Genebra
Foto: AFP

As autoridades, cobradas pela primeira vez desde que a Santa Sé assinou um tratado sobre direitos da criança da ONU em 1990, afirmaram que a Igreja reconhecia o problema e havia estabelecido regras claras para a proteger as crianças de abuso. No entanto, integrantes do Comitê das Nações Unidas sobre Direitos da Criança presentes na sessão em Genebra exigiram bem mais transparência da Igreja sobre o escândalo.

"A visão do comitê é que a melhor maneira de prevenir abusos é revelar os antigos, é abertura em vez de varrer as ofensas para debaixo do tapete", disse Kirsten Sandberg, presidente do comitê da Organização das Nações Unidas, à delegação do Vaticano. "Parece que até agora os seus procedimentos não foram muito transparentes."

Barbara Blaine, presidente de uma rede de pessoas que foram abusadas por padres, uma organização que conta com 15 mil integrantes nos Estados Unidos e 4.000 em outros países, disse que a resposta do Vaticano não foi suficiente para as vítimas. "O que nós queremos ver é o Vaticano punindo bispos que acobertaram crimes sexuais e queremos que eles deem as informações que têm sobre esses crimes para a polícia", declarou.

O arcebispo Silvano Tomasi, líder da delegação do Vaticano, afirmou na sua fala de abertura que a Igreja havia estabelecido procedimentos claros para "ajudar a eliminar o abuso e colaborar com as autoridades na luta contra esse crime".

A especialista Sara de Jesus Oviedo Fierro contestou a declaração, dizendo que o Vaticano "não havia estabelecido nenhum mecanismo para investigar e processar os que cometeram abuso sexual".

Membros da comissão do Vaticano em sessão na ONU
Membros da comissão do Vaticano em sessão na ONU
Foto: AFP

"Vergonha da Igreja"
Na manhã desta quinta, no Vaticano, o papa Franciso disse aos fiéis numa missa que os escândalos de abuso haviam "custado muito dinheiro", mas que pagar as compensações "era certo". Ele disse que bispos, padres e leigos eram responsáveis por essa "vergonha da Igreja".

As vítimas acusam bispos de acobertar crimes e mudar padres para outras paróquias para evitar processos. Tribunais ordenaram o pagamento de centenas de milhões de dólares pelas dioceses em compensações, quebrando algumas delas nos Estados Unidos.

Em dezembro, o papa Franciso criou uma comissão de especialistas para analisar o abuso sexual de menores na Igreja, na sua primeira importante medida para lidar com a crise.

O arcebispo Charles Scicluna, antes a principal autoridade do Vaticano para os casos de abuso, rejeita as acusações de acobertamento. "Não é a política da Santa Sé estimular acobertamentos. Somente a verdade vai nos levar a uma situação onde poderemos começar a ser exemplo de uma prática melhor", disse.

Miguel Hurtado, um espanhol que sofreu abusos de um padre, manifestou a sua decepção com as declarações do Vaticano. "A transparência é uma ferramenta muito poderosa quando você está fazendo a coisa certa. Quando você tem algo a esconder, você se esconde atrás de palavras e não é direto com fatos e detalhes, porque fatos e detalhes não estão do seu lado", afirmou ele à TV Reuters.

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