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Vaticano diz que relatório da ONU quer interferir em doutrinas da Igreja

Comitê da ONU criticou hoje o Vaticano por nunca ter reconhecido "a amplitude dos crimes" de abuso sexual contra crianças por parte de sacerdotes

5 fev 2014
11h51
atualizado às 12h02
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O Vaticano afirmou nesta quarta-feira que estudará minuciosamente as críticas publicadas no relatório das Nações Unidas do Comitê da ONU sobre os Direitos da criança, mas denunciou que "em alguns pontos" há uma "tentativa de interferir nas doutrinas da Igreja".

O Comitê da ONU sobre os Direitos da Criança criticou hoje o Vaticano por nunca ter reconhecido "a amplitude dos crimes" de abuso sexual contra crianças por parte de sacerdotes, e acusou o Estado católico de adotar "políticas e práticas que levaram à continuação de abusos e à impunidade dos responsáveis".

Em seu relatório sobre o cumprimento da Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança por parte da Santa Sé, o Comitê também afirma que o Vaticano não tomou "as medidas necessárias" para atender estes casos e proteger aos menores.

Um comunicado do escritório de imprensa da Santa Sé diz que "tomou nota" do relatório e que será "submetido a um minucioso estudo e análise no plenário a respeito da Convenção nos diferentes âmbitos apresentados pelo Comitê, segundo o direito e a prática internacional, e levando em conta o debate público que se manteve em 16 de janeiro (na sede da ONU em Genebra)".

O texto acrescenta que a Santa Sé "lamenta ver em alguns pontos" do relatório "uma tentativa de interferir nas doutrinas da Igreja Católica sobre a dignidade das pessoas e no exercício da liberdade religiosa".

No breve comunicado, o Vaticano reitera "seu compromisso para a defesa e proteção dos Direitos da Criança, de acordo com os princípios promovidos pela Convenção e segundo os valores morales e religiosos oferecidos pela doutrina católica".

Por sua vez, o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, que está em Madri, disse após a publicação do relatório que o Vaticano enfrenta os casos de pedofilia na Igreja com uma "exigência de transparência" e "prova" disso é que nos próximos "dias ou semanas" explicará o funcionamento da comissão criada para prevení-los.

 

EFE   

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