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Vaticano: aplicar lei do silêncio à pedofilia é errado e injusto

8 fev 2012
13h29
atualizado às 13h53

O promotor do Vaticano, Charles Scicluna, disse nesta quarta-feira que é errado e injusto aplicar a "lei do silêncio" aos casos de pedofilia e que a Igreja tem a obrigação de cooperar com as autoridades civis, pois o abuso de menores não só é um delito canônico, mas também civil.

Scicluna, promotor de justiça do Vaticano, fez as declarações durante seu discurso no 3º dia do simpósio "Rumo à cura e à renovação", sobre os escândalos de pedofilia na Igreja Católica, na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.

O prelado ressaltou que reconhecer e admitir a verdade absoluta "com todas as dolorosas repercussões e consequências" é o ponto de partida para uma cura autêntica, tanto das vítimas quanto do autor dos abusos.

Conforme o promotor, as vítimas precisam ser ouvidas com atenção e tratadas com dignidade quando embarcam na "esgotante" viagem da recuperação e da cura, e que por isso é necessária a ajuda de especialistas.

Acrescentou ser extremamente importante que o abusador admita seu pecado, seu crime e sua responsabilidade pelos danos causados às vítimas, à Igreja e à sociedade.

Em 2010, o papa Bento XVI dirigiu uma carta aos católicos irlandeses, na qual exortava os clérigos pedófilos a examinar a consciência, que "admitam abertamente a culpa, assumam a responsabilidade dos pecados cometidos, expressem com humildade o pesar e submetam-se as exigências da justiça".

Scicluna destacou que no sacerdócio e na vida religiosa não há lugar para nada que prejudique os jovens e garantiu que nenhuma estratégia de prevenção de abusos por parte da Igreja irá funcionar se faltar credibilidade.

Charles Scicluna discursou para os 110 representantes da Conferência Episcopal de todo o mundo e 30 superiores religiosos depois da vigília penitencial na igreja de Santo Inácio, em Roma, na noite de terça-feira.

Durante a vigília, o cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos, pediu perdão a Deus e às vítimas dos abusos sexuais cometidos por padres, que chamou de "fontes de vergonha e um enorme escândalo".

EFE   
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