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Ultimato de Bersani pode aproximar Itália de novas eleições

4 mar 2013
10h58
atualizado às 11h37

A Itália parecia caminhar para uma nova eleição, nesta segunda-feira, após o líder da centro-esquerda Pier Luigi Bersani lançar um ultimato ao líder do Movimento 5 Estrelas, Beppe Grillo, para apoiar a um governo provisório, ou voltar às urnas.

A inconclusiva eleição da semana passada, na qual Grillo obteve um enorme número de votos de protesto, terminou sem nenhum grupo obtendo maioria no Parlamento, fazendo com que uma aliança com o rival seja a única solução para formar um governo.

Em uma aparição no canal estatal de tevê RAI na noite de domingo, Bersani ressaltou sua oposição às duas opções que estão sendo apresentadas --outro governo tecnocrata, como o do anterior Mario Monti, ou uma grande coalizão com a centro-direita de Silvio Berlusconi.

Isto deixaria apenas uma possibilidade para evitar novas eleições - o apoio de Grillo para a centro-esquerda, que ganhou a eleição na Câmara, mas não tem apoio suficiente para governar no Senado.

"Agora (Grillo) deve dizer que o que quer, ou então vamos todos para casa, incluindo ele", afirmou Bersani.

Grillo tem dito repetidas vezes que seu movimento populista não daria um voto de confiança para qualquer governo dos partidos estabelecidos, apesar de poder endossar leis individuais.

Os mercados financeiros estão observando a Itália de perto e a diferença entre os bônus de 10 anos italiano e os títulos alemães --uma medida de confiança do investidor-- aumentou na segunda-feira para um patamar próximo a máxima em três meses, à medida que o país entrou na segunda semana de impasse político.

Na semana passada, Grillo chamou Bersani de "um homem morto que fala", após o líder da centro-esquerda ter feito as primeiras aberturas para o movimento populista de Grillo, que se tornou o maior partido único da Itália em seu primeiro teste nacional.

Na segunda e terça-feira, Grillo irá se reunir com os 163 novos parlamentares do 5 Estrelas, que nunca estiveram no Parlamento antes, para conversar sobre sua estratégia antes da primeira sessão do Parlamento no dia 15 de março, e sobre as consultas formais subsequentes com o presidente Giorgio Napolitano sobre a formação de um governo.

O ultimato de Bersani pode não funcionar com Grillo e suas táticas aparentemente enfrentam oposição de algumas lideranças do seu Partido Democrático (PD).

Muitos acreditam que o comediante de Gênova quer voltar às urnas para acabar com a antiga ordem e alavancar sua votação. Também afirma-se que Grillo teme que seus novos parlamentares sejam subornados por políticos tradicionais cínicos uma vez que estiverem no Parlamento.

"É do interesse dele voltar para as urnas o quanto antes", disse o vice-presidente do instituto eleitoral SWG, Maurizio Pessato.

"Grillo não pode receber mais de 8 milhões de votos prometendo se livrar do sistema estabelecido e depois imediatamente se aliar com a velha guarda", acrescentou.

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