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Turquia: Erdogan volta a endurecer discurso contra manifestantes

9 jun 2013
09h40
atualizado às 10h12
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Os manifestantes turcos e o governo mantêm suas posições neste domingo, décimo dia de protestos contra o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, que pediu a seus partidários que respondam com uma "lição" aos manifestantes nas eleições municipais de 2014. Um dia depois de uma nova jornada de mobilização, durante qual dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas em várias cidades do país, o premiê voltou a endurecer o discurso.

Manifestantes protestam antes de confronto com a polícia em frente à embaixada americana em Ancara na madrugada de domingo
Manifestantes protestam antes de confronto com a polícia em frente à embaixada americana em Ancara na madrugada de domingo
Foto: AP

"Restam apenas sete meses para as eleições locais. Peço que respondam a estas pessoas com uma primeira lição pela via democrática, nas urnas", disse Erdogan durante um discurso em Adana (sul do país), diante de milhares de simpatizantes que o aclamaram no aeroporto da cidade. "São suficientemente covardes para insultar o primeiro-ministro deste país", completou. "Somos o partido dos 76 milhões de habitantes da Turquia", completou Erdogan, que é criticado pelos manifestantes, que o consideram autoritário.

Na sexta-feira, Erdogan suavizara o tom adotado contra os manifestantes e disse que era contra a violência, o vandalismo e "as ações que ameacem os outros em nome da liberdade". Também declarou que receberia todos com "exigências democráticas".

Milhares de turcos voltaram a sair às ruas no sábado para protestar contra o governo de Erdogan, que pediu o fim das manifestações, inéditas desde que o premier chegou ao poder há uma década. Protestos foram organizados em Istambul, Ancara, Adana e Izmir. Manifestantes passaram a noite nas ruas. Com a mesma determinação, milhares de pessoas ocuparam a praça Taksim de Istambul e o famoso parque Gezi.

Estopim
O anúncio da destruição deste parque foi o estopim para a mais grave crise política desde que o governo islamita conservador chegou ao poder em 2002. Muitos torcedores dos três grandes clubes de futebol rivais da cidade, Galatasaray, Besiktas e Fenerbahçe, se uniram à multidão. Mas em Ancara, a polícia dispersou de maneira violenta, com gás lacrimogêneo, 5.000 manifestantes que estavam reunidos na praça de Kizilay, centro da cidade.

Erdogan aproveitou o sábado para multiplicar as consultas em Istambul, com reuniões com os dirigentes do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) e depois com o presidente do Parlamento, Cemil Ciçek. O AKP decidiu organizar reuniões públicas no próximo fim de semana, em Ancara e Istambul, segundo a imprensa. A ideia é lançar oficialmente a campanha do partido para as eleições, mas também responder às manifestações. Erdogan deve retornar neste domingo Ancara, onde estão previstas manifestações de apoio ao premier.

O projeto de reforma da praça Taksim prevê a destruição do parque Gezi e a retira de suas 600 árvores. A violenta intervenção da polícia no dia 31 de maio para desalojar os manifestantes que ocupavam o parque provocou confrontos, que se transformaram depois em um amplo movimento de protestos contra o governo islamita conservador.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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