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Turquia, destino preferido para o "turismo da fertilidade"

18 jun 2013
10h40
atualizado às 11h09

A Turquia se transformou no destino favorito dos casais do Oriente Médio, da Europa Oriental e inclusive dos Estados Unidos, que necessitam da técnica de fecundação in vitro para poderem ter filhos.

O segredo do sucesso: uma tecnologia de ponta comparável a dos melhores centros europeus e norte-americanos, mas com preços até cinco vezes menores e um ambiente acolhedor.

"Faz cinco anos que meu marido e eu queremos ter filhos e, embora sejamos férteis, só podemos consegui-lo através da fecundação assistida, um tratamento que nos Estados Unidos custa US$ 16 mil para uma única tentativa", explicou à Agência Efe Sarah Flores Sievers, diretora de um programa de saúde pública em Santa Fé, capital do Novo México.

"Ficamos diante de um dilema: pagar a hipoteca e as contas ou ter um bebê?", disse Sarah.

Segundo Fletcher Sievers, marido de Sarah, algo tão simples como a injeção vaginal de esperma custa entre US$ 2,5 mil e US$ 3 mil nos EUA.

Por este mesmo preço, um paciente na Turquia tem acesso às tecnologias mais avançadas de fecundação in vitro, com taxas de sucesso elevadas, entre 50% e 55%, afirmou Bülent Tiras, médico-chefe da unidade de tratamentos de fertilidade no hospital Acibadem de Istambul.

A maioria de seus pacientes é formada por turcos, mas Tiras estima que entre 10% e 15% sejam estrangeiros, a maioria da Europa oriental e dos Bálcãs, onde a tecnologia está menos desenvolvida, além dos países árabes e da Ásia Central.

Mas também há casais da Europa ocidental e cada vez mais americanos, disse Burcu Dagistanli, especialista de Serviços Internacionais no hospital Anadolu de Istambul, o centro escolhido por Sarah e Fletcher Sievers.

"A Turquia ainda gera alguma desconfiança principalmente nos Estados Unidos, pois é um país islâmico, às vezes as pessoas têm medo, me perguntam sobre terrorismo. Mas uma vez que chegam aqui, não se arrependem, ficam muito à vontade", contou Dagistanli.

O hospital não faz publicidade no exterior, mas as notícias são divulgadas rapidamente entre os casais que buscam meios para realizarem seu desejo de maternidade e após o sucesso de uma gravidez o boca a boca é a melhor publicidade, garantiu.

Sarah procurou bastante na internet antes de descobrir Istambul, confessou. "Entrei em contato com centros na Tailândia, Índia, México, Espanha, República Tcheca e finalmente Turquia. Ao ver os preços, nos demos conta de que, incluindo as passagens de avião, remédios e tratamentos, poderíamos vir três vezes aqui pelo preço de uma única tentativa nos Estados Unidos", resumiu.

Os preços quase não variam entre os diferentes hospitais consultados: ficam em torno dos US$ 2,5 mil. Além disso, devem ser acrescentados os remédios que, dependendo de cada mulher, podem oscilar entre US$ 700 e US$ 1,8 mil. No total, o preço da esperança não supera os US$ 4 mil.

Ao contrário do que ocorre em alguns países europeus, como a Itália, a legislação turca não impõe barreiras para a fertilização in vitro, segundo Bülent Tiras. Existe apenas uma condição: o casal deve ser casado.

Uma norma um tanto incoerente, segundo o médico turco Hakan Kozinoglu especialista em tratamentos de fertilidade, já que nenhuma lei impede a concepção de filhos, nem penaliza o adultério.

Segundo o especialista, o requisito do certificado de casamento impede que as mulheres solteiras tenham acesso a este tratamento e descarta, além disso, as doações de esperma.

Os serviços de bebês de proveta costumam estar sempre com fila cheia, assegurou Dagistanli, cujo departamento foi criado para atender pacientes estrangeiros e esclarecer dúvidas.

"O tratamento exige muito atendimento psicológico e começa antes de chegarem ao hospital: a mulher deve tomar a pílula e fazer alguns exames para chegar ao hospital no momento certo e, durante este tempo de preparação, mantemos sempre o contato", afirmou o especialista.

O Anadolu inclusive oferece aos pacientes uma residência no jardim do próprio centro para as duas semanas do processo. Entretanto, Sarah e Fletcher preferiram procurar um apartamento por conta própria, para conhecer a cidade.

"Nada é 100% garantido: se funcionar, genial, e se não, simplesmente tivemos umas férias maravilhosas", declarou a jovem americana.

"Se uma primeira tentativa falhar, sempre podemos voltar a tentar", acrescentou. "Eles já têm meus óvulos congelados, será mais fácil". E de todas as formas, confessou, "é preciso voltar à Istambul seja como for".

EFE   
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