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Turcos promovem chuva de cravos para lembrar protestos no país

22 jun 2013
15h16
atualizado às 16h35

Milhares de pessoas se reuniram neste sábado na emblemática praça de Taksim, agitando bandeiras e portando cravos vermelhos para lembrar o que ocorreu há uma semana, quando o adjacente parque Gezi, ainda isolado e sob vigilância, foi desocupado pela polícia.

"Em todas as partes Taksim", "Em todas as partes resistência", "A luta volta a começar", "Tayyip renuncia", foram alguns dos gritos dos manifestantes enquanto bloqueavem o trânsito na praça, constantou a Agência Efe por volta das 13h30 (horário de Brasília).

Pouco depois, os manifestantes atiraram ao ar seus cravos dando lugar a uma espetacular chuva de flores, enquanto abarrotavam a praça e os agentes antidistúrbios mantinham o parque Gezi isolado para evitar o acesso ao epicentro dos protestos, iniciados como uma manifestação ecológica.

Assim, sob a vigilância da polícia, os manifestantes, em sua maioria jovens, desafiavam as palavras ditas pelo primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, de que "Taksim não é um lugar para se reunir", reiterando essas palavras hoje durante um comício na cidade nortista de Samsun.

Segundo a rede "NTV", o primeiro-ministro defendeu a atuação de seu Governo frente aos protestos e reiterou que por trás dos mesmo há uma conspiração estrangeira e manejos de "lobby financeiro".

Erdogan disse, além disso, que os protestos prejudicaram a economia da Turquia, ao reduzir o turismo, dizendo que os manifestantes atuam contra os interesses da nação.

"Eles podem lançar milhões de tweets, mas nós viraremos esse jogo", disse.

O Ministério das Relações Exteriores turco convocou hoje o embaixador alemão em Ancara, Eberhard Pohl, que foi à reunião, segundo a imprensa local, para tomar nota do descontentamento de Ancara com a postura de Berlim, que criticou a violência policial nas manifestações que acontecem há quatro semanas na Turquia.

O Governo turco já tinha expressado seu descontentamento ontem, quando o ministro de Assuntos Europeus turco, Egemen Bagis, divulgou um comunicado de imprensa no qual demonstra sua "decepção" pela recusa alemã de abrir um novo capítulo nas negociações de adesão da Turquia à União Europeia (UE).

A Alemanha tomou essa decisão por rejeitar a maneira como o Governo de Erdogan administrou os protestos, nos quais, desde o início da repressão violenta em 31 de maio, quatro pessoas morreram e outras milhares ficaram feridas.

Hoje, um tribunal de Ancara decretou prisão preventiva para 23 detidos nas manifestações, sob acusação de terem promovido atos violentos.

Enquanto isso, em Istambul os manifestantes insistem na atitude pacífica para conseguir seus objetivos e mostram uma crescente criatividade em seus protestos, deixando para trás os paralelpípedos e bombas de gás lacrimogêneo, para dar espaço para as flores e os abraços.

Para a tarde deste sábado tinham sido convocado em Taksim uma manifestação com cravos vermelhos para relembrar os últimos atos violentos cometidos pela polícia na cidade de Bósforo há uma semana. Na véspera, um grupo de meninas se manifestou na mesma praça, ainda sob forte vigilância policial, com cartazes nos quais era possível ler "Abraça-me", um convite aceito por várias pessoas.

O evento foi seguido por uma concentração feminista na praça, na qual várias mulheres se manifestavam em silêncio, mas com folhas colocas ao corpo nos quais se lia "Pelo menos três parques", "Pelo menos três barricadas" e "Pelo menos três amantes".

As mulheres expressavam assim, com humor, a rejeição às palavras do primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, que pediu reiteradamente que cada mulher turca deveria ter pelo menos três filhos.

EFE   
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